CTT em greve durante quatro dias ameaça entrega de correio no Natal
Os sindicatos dos CTT agendaram uma greve durante quatro dias, até ao final do ano, em protesto contra a privatização da empresa.
Os Correios de Portugal (CTT) vão entrar em greve e o pré-aviso já foi entregue. A paralisação está agendada para os dias 29 de Novembro e 27, 30 e 31 de Dezembro e foi convocada pelo Sindicato Democrático das Comunicações e dos Media (SINDETELCO) em conjunto com mais quatro sindicatos, revela o comunicado da SINDETELCO. Estes cinco sindicatos representam a maioria dos trabalhadores dos CTT. A distribuição postal na época natalícia vai assim sofrer perturbações.
O motivo da paralisação, esclarece o comunicado, é a privatização dos CTT. O SINDETELCO defende que “os Correios são uma das poucas empresas públicas lucrativas e com sucesso no Grupo Empresarial do Estado. Não são 'gordura' pois contribuem com os seus lucros anuais para o Orçamento de Estado”.
O sindicato lembra que 80% dos correios ao nível europeu encontra-se nas mãos dos Estados e que houve apenas cinco países da União Europeia onde houve privatização destes serviços. “Esta privatização pretende alienar o património de uma empresa com mais de 500 anos de história que cumpre funções especiais e é plenamente rentável. Um dos (poucos) serviços públicos de excelência em Portugal”, sublinham.
“Se esta privatização avançar o encerramento de estações irá continuar. Postos de trabalho estarão em perigo. Idosos, reformados e pensionistas terão de fazer dezenas de quilómetros para conseguir levantar a sua pensão. Os serviços postais irão ficar mais caros. E o Estado ficará sem os milhões de lucros dos CTT que entram anualmente no Orçamento do Estado”, alerta ainda o sindicato no comunicado que emitiu.
O SINDETELCO explica ainda que não “está garantida a permanência” no subsistema de saúde dos CTT os aposentados e reformados dos Correios, bem como, dos actuais trabalhadores.
O Negócios escreve esta segunda-feira que o Governo quer avançar com a privatização dos CTT tão depressa quanto possível e apressou o processo de dispersão em bolsa. A data da Operação Pública de Venda (OPV) poderá ser antecipada em relação ao horizonte de 6 de Dezembro, definido há dias pelo ministro da Economia, António Pires de Lima.