Banca & Finanças DBRS: “Impacto financeiro das multas da AdC é amplamente gerível” para a banca portuguesa

DBRS: “Impacto financeiro das multas da AdC é amplamente gerível” para a banca portuguesa

A DBRS considera que as multas aplicadas pela Concorrência à banca nacional afetam essencialmente a sua reputação. Mas em termos financeiros o impacto está controlado.
DBRS: “Impacto financeiro das multas da AdC é amplamente gerível” para a banca portuguesa
Sara Antunes 24 de setembro de 2019 às 10:51

A Autoridade da Concorrência (AdC) condenou 14 bancos ao pagamento de uma coima no valor total de 225 milhões de euros. Em causa está a prática concertada de troca de informação comercial sensível referente à oferta de produtos de crédito na banca de retalho, designadamente crédito habitação, crédito ao consumo e crédito a empresas. Algo que foi praticado durante um período de mais de dez anos (entre 2002 e 2013).

 

Os bancos alvo de coimas foram o BBVA, o BIC (por factos praticados pelo então BPN), o BPI, o BCP, o BES, o Banif, o Barclays, a Caixa Geral de Depósitos (CGD), o Caixa de Crédito Agrícola, o Montepio, o Santander (por factos por si praticados e por factos praticados pelo Banco Popular), o Deutsche Bank e a UCI.

 

"Na opinião da DBRS, o impacto financeiro das multas é amplamente gerível para o setor bancário português. O anúncio é negativo para a reputação [da banca], mas é muito improvável, nesta altura, um aumento significativo do risco reputacional individual", salienta a DBRS numa nota publicada esta terça-feira, 24 de setembro.

 

"As penas foram decididas pela Autoridade da Concorrência portuguesa e tiveram por base a dimensão e duração da participação [neste esquema]. Contudo, a transparência nesta matéria foi limitada", salienta a DBRS.

 

"As multas, assumindo o montante que deve ser pago na totalidade, representa apenas cerca de 9% do lucro antes de impostos de 2019, segundo os cálculos da DBRS. A apoiar esta visão está também a melhoria recente do resultado dos bancos antes das provisões, principalmente em resultado de menores custos operacionais, bem como da redução do ‘stock’ dos ativos não rentáveis", acrescenta a nota da DBRS.

 

Ainda assim, salienta a mesma agência, "o impacto difere entre os bancos", com o Montepio a ser o que sentirá o maior impacto (68% do lucro antes de impostos) e o BCP o menor (9%).

 
Em termos de notas de rating, a DBRS não fez qualquer alteração, mantendo o Santander com a notação mais elevada e o Montepio e o Novo Banco com as mais baixas, estando estes dois num patamar considerado "lixo".




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