ESR recomenda «comprar» Sonaecom com preço-alvo nos 3,3 euros
A Espírito Santo Research [ESR], num estudo com data de ontem, emitiu uma recomendação de «compra» para os títulos da Sonaecom, atribuindo um preço-alvo de 3,3 euros, que representa um potencial de valorização de 27%. O banco de investimento considera que
A Espírito Santo Research [ESR], num estudo com data de ontem, emitiu uma recomendação de «compra» para os títulos da Sonaecom, atribuindo um preço-alvo de 3,3 euros, que representa um potencial de valorização de 27%. O banco de investimento considera que um OPA sobre a empresa é agora menos provável que há um ano atrás.
Num estudo com data de ontem a ESR afirma que a Sonaecom «através da Optimus está a melhorar significativamente as suas margens nos últimos trimestres e esperamos que esta tendência continue em 2004».
A margem de «cash flow» operacional, ou EBITDA, deverá ter ficado nos 25% em 2003 e este ano deverá subir para 27%. No quarto trimestre de 2002 a margem EBITDA estava nos 17,5%, progredindo até 25,9% no terceiro trimestre de 2003.
A ESR estima que o EBITDA da Optimus cresça 13% em 2004, apresentando uma performance acima da estimada para o sector (7,6%).
Os principais catalizadores para as acções da Sonaecom deverão ser «as melhorias na rentabilidade e os cenários de fusões e aquisições no negócio das telecomunicações fixas que prevemos para 2004», refere a mesma fonte.
Para o banco de investimento, a Novis operadora de telecomunicações fixas do grupo, poderá estar envolvida num movimento de consolidação com o seu rival mais próximo, a ONI da EDP. «O resultado será provavelmente a EDP a gerir a companhia resultante da fusão, melhorando significativamente» os resultados da empresa, acrescenta a ESR, que prevê que a Novis atinja o «breakeven» no EBITDA nos próximos trimestres.
Sobre a participação da France Telecom neste possível negócio, a ESR diz que a companhia francesa pode também ser accionista da nova empresa, ou em troca pela posição na Novis, receber dinheiro ou acções da Optimus.
A ESR avalia a Sonaecom em 746 milhões de euros, com a participação de 46% na Optimus, terceira maior operadora móvel portuguesa a representar 72% do total.
«Se olharmos para a Optimus, e assumirmos que 72% da capitalização bolsista da Sonaecom lhe é atribuída, concluímos que a operadora móvel está a transaccionar com um desconto de 13% face ao sector», diz a ESR, acrescentando que, «para além disso a Optimus deve quase duplicar as taxas de crescimento do sector (11% vs 6%) no período entre 2003 e 2005».
Ainda para a Optimus a ESR estima que a operadora atinja 2,353 milhões de clientes em 2005 (crescimento médio anual de 2,6%), com as receitas a subirem para 668,1 milhões de euros e o EBITDA a aumentar para 188,1 milhões de euros (subidas anuais de 3,9% e 10,8%, respectivamente).
A Novis, operadora de telecomunicações fixas, vale 12% da Sonaecom e a ESR não espera uma grande viragem neste negócio, mas «o programa de corte de custos implementado em 2003 deve ainda dar frutos em 2004. «A Novis deve ganhar mais quota de mercado à PT nos próximos anos, mas o principal foco para atingir o "break even" serão os custos», acrescenta.
Como factores positivos para a Sonaecom a ESR destaca o potencial de subida das margens da Optimus e da Novis, o facto de registar free cash flow positivo e ser das poucas operadoras independentes da Europa.
Pela negativa a ESR salienta o facto de a Sonaecom ser um pequeno operador, podendo ser mais afectado em caso de ambientes desfavoráveis, ter dificuldades no negócio de Internet de banda larga e telecomunicações fixas e ter ainda negócios que perdem dinheiro, como o Público e o Clix.
As acções da Sonaecom seguiam a descer 0,36% para os 2,75 euros, acumulando um ganho de 16% este ano.