Fly London reclama custos de produção mais baixos
Uma semana após a inauguração da quarta loja Fly London, na capital da Dinamarca, o dono da marca portuguesa de calçado mais internacional vai alertar para os custos de produção que afectam a competitividade das empresas nacionais.
"É preciso chamar a atenção para os custos de produção como a electricidade e o gás que tornam as empresas portuguesas menos competitivas, face aos concorrentes espanhóis, franceses e alemães", disse à Lusa Fortunato Frederico, presidente do grupo Kyaia, um dos oradores do painel "Têxteis, Vestuário e Calçado", no Congresso das Exportações, que decorre na terça-feira, em Santa Maria da Feira, organizado pela AICEP Portugal Global.
Em declarações à Lusa, o empresário realçou que "não é justo que seja a indústria transformadora e exportadora a pagar custos de produção mais caros", criticando ainda a morosidade da justiça que faz "com que os processos levem anos a estarem resolvidos. Para Fortunato Frederico, que é também presidente da Associação dos Industriais do Calçado (APICCAPS), seria importante rever os apoios à internacionalização das empresas, nomeadamente à participação em feiras internacionais.
"Se o Governo fizesse as contas bem feitas, chegaria à conclusão qual é o retorno de cada euro investido e que vale a pena investir", defendeu, explicando que "uma empresa pequena não tem disponibilidade financeira nem recursos humanos disponíveis para participar nas mais importantes feiras do sector".
À mesma mesa vai sentar-se o presidente da Mundotêxtil, empresa que representa quase metade das exportações portuguesas de roupa de banho, que pretende alertar para a necessidade da aplicação "rápida" de "uma política industrial".
Para José Pinheiro, "os subsídios às empresas que existem deviam ser removidos na quase totalidade e haver prémios para as que concretizarem metas das exportações". O que traz riqueza ao país "é o valor acrescentado e nisso a indústria têxtil portuguesa é campeã", afirmou, referindo que "exporta mais de três mil milhões de euros, representando cerca de 11% das exportações nacionais".
Em declarações à Lusa, o empresário destacou que "mais do que os números das exportações, importa o valor acrescentado", referindo que Portugal lidera com um preço médio de 8,24 euros por quilograma, o que "mostra que a indústria inova todos os dias".
O Governo português espera que o Congresso das Exportações, que se realiza na terça-feira, no Europarque, em Santa Maria da Feira, seja uma alavanca para a mobilização da economia e para uma maior cooperação estratégica entre grandes empresas e PME. Classificado pelo ministro da Economia, Vieira da Silva, como "o encontro mais representativo jamais realizado no nosso país", o evento reúne centenas de empresas e conta já com mais de mil participantes, numa altura em que a promoção do sector exportador é usado como uma das mais importantes bandeiras do Executivo para dinamizar a economia portuguesa.