Grandes empresas satisfeitas com o que poupam em teletrabalho
Grandes empresas estão a poupar e a projetar novas poupanças por causa do teletrabalho. Exaustão dos trabalhadores põe em causa produtividade.
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Seis em cada dez empresas reportam ganhos de produtividade com o teletrabalho – em média de 18% - e a maioria (70%) acredita que se manterão após a pandemia. Uma grande parte (88%) das empresas assume que está a poupar com imobiliário e quase todas (92%) projetam poupanças médias de quase um terço em imobiliário nos próximos três anos, a que acresce uma redução semelhante de custos operacionais (-33%) como energia, ar condicionado, material de escritório, viagens e manutenção. Paralelamente, os trabalhadores reportam exaustão, com cerca de metade a dizer que está "esgotado" com o ritmo de trabalho. A desmotivação com o trabalho à distância surge em particular entre as pessoas que foram contratadas recentemente. É o retrato que se retira de um estudo da Capgemini divulgado esta quinta-feira com base em inquéritos feitos no outono a 500 organizações e cinco mil trabalhadores de diferentes setores em nove países: Estados Unidos, Índia, Alemanha, Espanha, Holanda, França, Itália, Suécia e Reino Unido. Em causa estão empresas de enorme dimensão, com um volume de negócios superior a mil milhões de dólares (830 milhões de euros). Para este relatório sobre o "Futuro do Trabalho" – que os autores consideram que será híbrido – seis em cada dez empresas declararam que a produtividade aumentou no terceiro trimestre, em média 18%, o que é explicado pela eliminação das deslocações e pela utilização de ferramentas virtuais. A maioria das empresas inquiridas (70%) acredita que os ganhos de produtividade se manterão no futuro, até porque pretende manter grande parte dos trabalhadores em teletrabalho. As respostas dos trabalhadores colocam no entanto em causa a sustentabilidade destes ganhos de produtividade: 55% declara estar exausto ("burned out") por trabalhar mais horas e a maioria (56%) teme pressões para estar sempre disponível. Os recém-contratados sentem-se confusos e pouco informados até sobre os benefícios da empresa: metade dos 327 trabalhadores que foram contratados nos últimos seis meses respondeu que não quer continuar na empresa se a única opção futura for o trabalho à distância.