Greve dos trabalhadores da Repsol obriga a paragem de fábricas em Sines
As fábricas do complexo petroquímico da Repsol de Sines pararam hoje a laboração devido à adesão «quase total» dos trabalhadores ao primeiro de dois dias de greve, disse fonte sindical.
As fábricas do complexo petroquímico da Repsol de Sines pararam hoje a laboração devido à adesão «quase total» dos trabalhadores ao primeiro de dois dias de greve, disse fonte sindical.
Armando Farias, da federação sindical do sector (Fequimetal), garantiu à agência Lusa que a paralisação, iniciada às 08:00, está a abranger a «quase totalidade dos 600 trabalhadores da Repsol», o que «obrigou à paragem das fábricas, logo de manhã».
«Todos os trabalhadores sindicalizados na Fequimetal, afecta à CGTP, estão em greve e nem sequer os empreiteiros entraram na unidade. Só não fizeram greve os sindicalizados na UGT, que são meia dúzia», referiu.
O protesto, agendado pela Federação Intersindical da Metalurgia, Metalomecânica, Minas, Química, Farmacêutica, Petróleo e Gás (Fequimetal), deverá prolongar- se até às 08:00 de terça-feira.
Os trabalhadores, que têm agendado novo dia de paralisação para sexta-feira, visam protestar contra a alegada intenção da administração da Repsol Polímeros de eliminar o Acordo de Empresa (AE).
Em comunicado divulgado hoje e citado pela Lusa, a Repsol revelou que a greve está a ter implicações na laboração das fábricas do complexo petroquímico, reconhecendo que as mesmas estão paradas desde manhã.
«Ocorreram hoje manobras de paragem nas fábricas de etileno, polietileno de alta densidade e de polietileno de baixa densidade, desde as 08:30, devido à greve», revelou a empresa.
De acordo com a Repsol, «conforme previsto no sistema de segurança do complexo, houve necessidade de queimar hidrocarbonetos no facho (chama expelida pela chaminé), com a produção de dióxido de carbono e vapor de água, originando chama alta, algum fumo negro e produção de ruído».
Os trabalhadores do complexo petroquímico, comprado pela Repsol à Borealis em 2004, acusam a administração de ser responsável por uma «brutal ofensiva contra os direitos laborais» consagrados na Contratação Colectiva.
O congelamento da progressão da carreira dos mais novos e dos subsídios de turno praticados em 2005, assim como a intenção da empresa de criar tectos salariais e «esquemas para a saída dos trabalhadores mais velhos», são outras das críticas dos trabalhadores.
Além dos funcionários da Repsol YPF, também os da Masa e os da Intertek, duas empresas prestadoras de serviços no complexo petroquímico nas áreas da manutenção e laboratório, estão envolvidos no protesto.
Em comunicado, na última sexta-feira, a Repsol Polímeros lamentou que as organizações sindicais afectas à CGTP tivessem rejeitado o novo AE, aceite pelos sindicatos da UGT.
A empresa salientou ainda que «o acordo firmado é positivo para todas as partes, sem excepção», e que as actuais leis laborais «foram tidas em consideração».