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"Com um maior ‘free-float’ a acção da REN não estaria onde está"

O presidente da REN não tem dúvidas: os maiores penalizados com baixas taxas de remuneração da REN "serão os consumidores" de energia eléctrica. Lei aqui na integra a entrevista de José Penedos ao Negócios, que fala também sobre o comportamento das acções em bolsa e as contas da empresa.

29 de Outubro de 2008 às 00:03

O pretexto desta entrevista, feita ontem ao final do dia, eram os resultados. Mas a conversa acabou por alargar-se à visão crítica que José Penedos, tem sobre a Entidade reguladora dos Serviços Energéticos - ERSE, e à performance da empresa na bolsa.

Como tem visto a evolução das acções da REN?

É imerecida. É um produto de ventania ciclónica. Acho que é um ciclone que leva tudo. O bom e o mau, e não distingue o que leva para baixo. A acção da REN não tem nada a ver com a situação do mercado. Não tem razão nenhuma para estar onde está.

Então porque é que está?

Porque os mercados são irracionais. A minha convicção é que se houvesse um maior “free-float” a REN não estaria onde está. Um “free-float” tão baixo como a REN tem, torna a empresa mais sensível a operações de liquidez ou de necessidade de liquidez de alguns accionistas, sobretudo, fundos, que em lotes pequenos, mas que são significativos para a liquidez existente, podem provocar abaixamentos sucessivos para as acções da REN.

Qual deveria ser o “free-float” da REN?

Contra os actuais 20%, deveria ser de 70% como é na REE. Tenho a convicção de que se fosse esse o valor os investidores portugueses, sobretudo as famílias, estariam nesta acção e nós estaríamos em muito melhor situação do que estamos hoje.

Mas a acontecer, a privatização teria de ter sido antes, certo? Este não é o momento...

Claro. Sabemos que o Governo não pode fazer privatizações nem este ano e nem mesmo no próximo. Mas se o “free-float” já fosse maior, a REN estaria mais defendida contra as actuais circunstâncias.

Perdeu-se a oportunidade?

O Estado vai reconsiderar, oportunamente, a possibilidade de vender mais capital. A REN é um produto que deve estar mais difundido nas poupanças familiares. Os portugueses precisam desta acção no mercado, mas mais líquida. Ou seja, de mais acções.

Mantém o discurso do “road-show” de que a REN é um bom investimento de longo prazo?

É um excelente investimento e, por isso, anunciei hoje (ontem) uma melhoria do dividendo. É um investimento seguro e previsível. Em que o dividendo só pode melhorar porque a performance operacional da REN não tem par. O PSI 20 desvalorizou 50% desde o início do ano. A REN perdeu metade disso. Há uma diferença de 50% a favor da REN. É uma excelente acção e não tem sido considerada assim no território, porque a bolsa portuguesa é muito pequena e a REN é muito pequenina nesse contexto, porque só tem 20% de “free-float”.

A proposta da administração da REN aos accionistas é para aumentar em quanto o dividendo?

O valor não vou dizer. Até porque será fixado em função das condições reais do fecho do ano. Mas está garantida uma melhoria sobre 2008.

Estão a planear algum aumento de capital?

Não temos necessidade nenhuma disso.

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