Japoneses procuram comprador para 22,5% da Floene
O consórcio japonês Meet Europe Natural Gas, detido pela Marubeni Corporation e pela Toho Gas, estará a procurar vender a participação de 22,5% que detém na Floene, a maior operadora de gás de Portugal. A informação é avançada esta terça-feira pelo jornal espanhol The Objective, que cita fontes internas da empresa portuguesa.
Caso a operação avance, poderá representar um dos movimentos acionistas mais relevantes no setor energético português dos últimos anos, numa altura em que as infraestruturas reguladas continuam a atrair investidores internacionais pela previsibilidade das receitas e pelo papel que desempenham na segurança energética.
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A Floene é atualmente controlada pela Allianz Capital Partners, que detém 75,01% do capital através de veículos de investimento dedicados a infraestruturas. A Petrogal, empresa do grupo Galp, mantém uma participação de 2,49%.
O consórcio japonês entrou no capital da então Galp Gás Natural Distribuição em 2016, no âmbito da reorganização dos ativos regulados da petrolífera portuguesa.
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Segundo o relatório e contas da empresa, a Floene registou em 2025 um lucro líquido de 16,3 milhões de euros, acima dos 10 milhões obtidos no ano anterior. O EBITDA aumentou para 105,5 milhões de euros, face aos 102,6 milhões registados em 2024.
A empresa apresenta uma margem EBITDA de 67% e registou um crescimento de 20,4% no fluxo de caixa livre no último exercício, indicadores que ajudam a explicar o interesse dos investidores por este tipo de ativos.
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Segundo fontes ligadas à banca de investimento citadas pelo The Objective, Portugal e Espanha continuam a ser vistos como mercados estratégicos para o gás natural, não apenas pela importância dos terminais de gás natural liquefeito (GNL) da Península Ibérica, mas também pelo potencial de crescimento dos gases renováveis.
A notícia surge numa altura em que a Floene procura reforçar o seu posicionamento no biometano e no hidrogénio renovável. Em abril, a empresa assinou um acordo de colaboração com a distribuidora espanhola Nedgia, do grupo Naturgy, para impulsionar o desenvolvimento do biometano e apoiar a descarbonização do consumo de gás na Península Ibérica.
O eventual processo de venda ocorre também num contexto de intensa atividade corporativa no setor europeu das infraestruturas energéticas. Recentemente, a Enagás anunciou a aquisição de 31,5% da operadora francesa Teréga por 573 milhões de euros e a venda de 40% da Enagás Renovable ao fundo Hy24 por 48 milhões.
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