"Não descansaremos enquanto todas as casas não tiverem energia", diz ministra. Defende enterro das linhas

Tempestade Kristin deixou milhares de casas sem energia. Governo avalia danos e defende redes mais resilientes, incluindo o enterramento de linhas para enfrentar eventos extremos.
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Foto: Pedro Catarino Maria da Graça Carvalho Foto: Ronald Wittek / Lusa - EPA Dan Jørgensen
Patrícia Vicente Rua 13:51

"Não descansaremos enquanto todas as casas não tiverem energia." A garantia foi deixada pela ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, na sequência da tempestade Kristin, que provocou danos extensos na rede elétrica e em infraestruturas críticas, deixando milhares de casas sem eletricidade, sobretudo na região Centro do país.

Numa conferência de imprensa ao lado do Comissário Europeu para a Energia, Dan Jørgensen, a ministra revelou que está em curso uma primeira contabilização dos danos para aferir o eventual acesso ao fundo de solidariedade da União Europeia (UE), uma vez que necessita de um valor mínimo de 1,6 mil milhões de euros, enquanto decorrem contactos sobre outras possibilidades de apoio, ações coordenadas pelos ministros da Economia, Manuel Castro Almeida.

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Não descansaremos enquanto todas as casas não tiverem energia. Maria da Graça Carvalho
Ministra do Ambiente e Energia

A tempestade causou a queda generalizada de postes e avarias em linhas de muito alta, alta, média e baixa, com especial incidência no distrito de Leiria. A ministra indicou que a alta tensão já se encontra reposta, persistindo problemas sobretudo na baixa tensão, onde se concentram as ligações residenciais.

O Governo considera que a concessionária está a atuar no limite da sua capacidade operacional, com mais de mil trabalhadores no terreno, num cenário classificado como uma “catástrofe de grandes dimensões”.

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A ministra enquadrou o impacto da tempestade no debate mais amplo sobre a resiliência do sistema elétrico, defendendo uma modernização profunda da rede. Portugal, sublinhou, tem uma infraestrutura maioritariamente aérea, desenvolvida sobretudo nas décadas de 70 e 80, e mais vulnerável a fenómenos meteorológicos extremos, que eram raros no passado.

"Precisamos de ter uma rede mais resiliente" e "precisamos de ter parte da rede enterrada", afirmou Maria da Graça Carvalho, defendendo mais digitalização e soluções que reduzam a exposição das infraestruturas a eventos extremos como a tempestade Kristin.

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Precisamos de ter uma rede mais resiliente (...) precisamos de ter parte da rede enterrada. Maria da Graça Carvalho
Ministra do Ambiente e Energia

Nesse contexto, a ministra afirmou que Portugal apresentou à Comissão Europeia as suas necessidades no âmbito do Grids Package, incluindo o reforço da resiliência da rede elétrica e a possibilidade de enterrar parte das linhas, existindo “toda a boa vontade” para que estas prioridades sejam consideradas no pacote europeu das redes, atualmente em negociação entre a Comissão Europeia, o Conselho e o Parlamento Europeu.

A governante acrescentou que o objetivo é garantir que as especificidades de países periféricos, com redes extensas e maior exposição a fenómenos climáticos extremos, sejam refletidas no financiamento europeu, a par do reforço das interligações elétricas com o resto da Europa.

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No plano hidrológico, Maria da Graça Carvalho explicou que a gestão das barragens foi iniciada de forma preventiva, após alertas meteorológicos emitidos com várias semanas de antecedência. “Começámos a descarregar as barragens em todo o país para criar encaixe”, afirmou, sublinhando que essa estratégia permitiu acomodar volumes excecionais de precipitação associados à tempestade Kristin.

De acordo com a ministra, Portugal registou valores acumulados de precipitação excecionais, com previsões de cerca de 600 milímetros de chuva em poucas semanas, a somar a um inverno já marcado por precipitação muito acima da média e por episódios significativos de neve. O degelo subsequente contribuiu para um aumento rápido e difícil de prever dos caudais.

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600Chuva
Portugal registou valores acumulados de precipitação excecionais. Projeções apontam para 600 milímetros de chuva em poucas semanas.

As principais bacias hidrográficas — Mondego, Douro, Tejo, Lima, Cávado, Guadiana e Algarve — estão sob monitorização permanente, com medições contínuas dos caudais e descargas ajustadas às condições meteorológicas e, nos rios com influência costeira, às marés. No Mondego, a atenção incide sobretudo sobre o sistema de diques, mais vulnerável a cheias rápidas, enquanto no Douro as descargas têm sido geridas para manter o caudal dentro dos limites de segurança.


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