Portugal está "relativamente protegido" de uma crise de abastecimento energético, diz ministra
Portugal está relativamente mais protegido face a uma eventual crise de abastecimento energético, apesar de continuar exposto à volatilidade dos preços globais. A garantia foi deixada pela ministra do Ambiente e Energia, que aponta para o peso das renováveis no sistema elétrico e para a diversificação das fontes de energia como principais fatores de resiliência.
“Portugal está relativamente protegido da crise — não da crise dos preços, porque esses são globais — mas da crise do abastecimento”, afirmou Maria da Graça Carvalho, aos jornalistas, à margem do lançamento do Sistema de Depósito e Reembolso.
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A ministra sublinha que a estrutura do sistema elétrico nacional mudou significativamente face a anteriores choques energéticos, nomeadamente em 2022.
"Do ponto de vista da eletricidade, mais de 80% é renovável, o que nos protege muito", disse, acrescentando que este fator reduz o impacto do gás na formação do preço da eletricidade.
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Explicou que, ao contrário do que aconteceu durante a crise energética de 2022, o gás tem hoje um papel mais limitado: "raramente é o gás a ditar o preço da eletricidade, só em muito pouco número de horas".
Lembrou que também no fornecimento de gás natural e petróleo, Portugal apresenta uma exposição mais diluída ao risco geopolítico, de acordo com a governante.
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“Estamos muito diversificados e os nossos fornecedores são todos do lado do Atlântico — Estados Unidos, Brasil, Nigéria — e a Argélia não está na zona de conflito”, afirmou.
A existência de reservas e de capacidade de refinação interna reforça esta posição. “Temos reservas e temos uma refinaria que trabalha bem, o que nos dá confiança”, acrescentou.
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Outro fator apontado pela ministra é a infraestrutura ibérica de importação de gás, que aumenta a margem de resposta em caso de disrupções.
“Temos muitos pontos de entrada, portos com capacidade para gás natural […] sete ou oito portos entre Portugal e Espanha”, destacou, sublinhando que esta rede oferece “maior capacidade de resistir à crise de abastecimento do que outros países da Europa”.
Apesar deste enquadramento mais favorável do lado da oferta, Maria da Graça Carvalho reconhece que Portugal não escapa ao impacto da escalada dos preços energéticos.
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"No nosso caso, estamos afetados pelo preço global da energia", afirmou.
Ainda assim, a ministra afasta, para já, um cenário de crise energética nos termos definidos pela União Europeia. "Há critérios bem estabelecidos […] e tudo leva a crer que não vamos chegar lá, principalmente se houver um acordo [geopolítico] nos próximos dias", concluiu.
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