Procura elétrica ibérica acelera com mais de 18 GW de centros de dados em pipeline, diz EDP

Miguel Stilwell diz que região combina crescimento da procura com preços competitivos e visibilidade regulatória nas redes. Os lucros da elétrica dispararam 44% para 1.150 milhões em 2025, à boleia da boa performance da EDP Renováveis. A dívida reduziu ligeiramente e o dividendo proposto foi aumentado.
Miguel Stilwell de Andrade, presidente executivo da EDP
Duarte Roriz / Jornal de Negócios
Patrícia Vicente Rua 09:57

A procura de eletricidade na Península Ibérica está a ganhar tração e pode marcar o início de um novo ciclo estrutural de crescimento até ao final da década. A EDP aponta para uma aceleração consistente do consumo em Portugal e Espanha, suportada pela eletrificação da economia, pela reindustrialização e pelo arranque de grandes projetos de centros de dados.

Entre os motores dessa procura estão mais de 18 gigawatts (GW) de projetos de centros de dados anunciados em pipeline. A EDP já assinou memorandos de entendimento com alguns dos projetos mais avançados, incluindo o Merlin Data Centre, a norte de Lisboa (180 MW), e o Start Campus, em Sines, que poderá atingir 1,2 GW.

PUB

No que toca ao m Sines, Miguel Stilwell sublinhou que se trata de “um passo relevante” na estratégia da EDP de se posicionar como parceiro energético de referência para grandes projetos de centros de dados na Península Ibérica.

Abre a possibilidade de criar valor adicional a partir dos nossos ativos e operações existentes Miguel Stilwell d'Andrde, CEO da EDP

O gestor acrescentou que existem também “sinergias entre o projeto do data centre em Sines e a infraestrutura que já gerimos, por exemplo na central de Sines”, apontando para soluções ao nível da água para arrefecimento. Outra vertente passa por uma “potencial colaboração para outros data centres em Portugal que o Start Campus possa querer desenvolver, aproveitando os ativos e capacidades da EDP”.

PUB

“Acima de tudo, abre a possibilidade de criar valor adicional a partir dos nossos ativos e operações existentes, bem como ganhar maior visibilidade sobre volumes futuros de procura”, disse

O CEO da EDP realçou que, em 2025, a procura elétrica cresceu 3,6% em Portugal e 2,8% em Espanha, superando vários mercados europeus. O arranque de 2026 reforça essa tendência: só em janeiro, o consumo aumentou 7,9% em Portugal e 4,8% em Espanha, já ajustado a efeitos de temperatura.

PUB

A EDP sublinha ainda que o crescimento da procura ocorre num contexto de menor sensibilidade do grupo às oscilações do preço da eletricidade. Segundo o CFO, Rui Teixeira, a exposição do resultado líquido às variações de mercado foi revista em baixa face ao que tinha sido apresentado no Capital Markets Day. “Hoje, um movimento simultâneo de 5 euros por megawatt-hora em todos os mercados teria um impacto de cerca de 45 milhões de euros no resultado líquido de 2028, abaixo dos 60 milhões anteriormente estimados”, afirmou. A redução reflete a diversificação geográfica do portefólio e uma gestão ativa de energia, com a maior parte da capacidade contratada a longo prazo.

A EDP prevê investir 4,1 mil milhões de euros nas redes elétricas ibéricas entre 2026 e 2030 - dos quais 3 mil milhões em Portugal - um aumento de 58% face ao período anterior (2021-2025), dos quais 3 mil milhões em Portugal, com mais de 500 milhões destinados à resiliência da infraestrutura. O novo enquadramento regulatório em Portugal e Espanha, fechado no final de 2025, garante retornos regulados de 6,7% e 6,58%, respetivamente.

PUB

A, face ao ano anterior, uma melhoria que a empresa atribui ao forte contributo da e parcialmente mitigado pela descida dos preços de venda de eletricidade em Portugal e Espanha, a par da desvalorização cambial no Brasil.  

"A EDP teve um conjunto de resultados muito sólido", disse Stilwell na conference call com os analistas. "2025 foi um grande ano para a EDP".

 A dívida líquida fixou-se em 15,4 mil milhões de euros, uma descida de cerca de 200 milhões face ao ano anterior. A empresa reiterou ainda o “guidance” para 2026, apontando para um EBITDA recorrente entre 4,9 mil milhões e 5,0 mil milhões de euros e um resultado líquido recorrente de 1,2 mil milhões a 1,3 mil milhões.  

PUB

O conselho de administração executivo irá propor à Assembleia Geral de Acionistas um aumento de 2,5% na distribuição de um dividendo relativo ao exercício de 2025, no valor de 0,205 euros por ação face aos 0,20 euros previamente definidos como objetivo para este ano.  

Pub
Pub
Pub