“Spin-off” da Universidade do Porto promete hidrogénio mais barato do que o combustível fóssil

A “tecnologia disruptiva”, agora transferida para o mercado, permite “uma proporção de produção de cerca de um quilo de hidrogénio para três de carbono”, o que altera profundamente o modelo económico do processo, afiança a HyCarb, que ganhou a chancela “Spin-off FEUP”.
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Foto: DR Spin-off da Universidade do Porto, HyCarb, promete hidrogénio mais barato Foto: DR HyCarb, spin-off da FEUP, produz hidrogénio a baixo custo
Rui Neves 18 de Março de 2026 às 21:19

No último verão, um relatório Comissão Europeia destacou a Universidade do Porto como a oitava universidade da União Europeia que mais empresas gerou entre 2017 e 2023.

As 89 empresas criadas em meia dúzia de anos permitiram à Universidade do Porto integrar o “top 10” das mais inovadoras da UE, ao lado de instituições como o KTH de Estocolmo, a Universidade Técnica de Berlim ou o Instituto Politécnico de Paris.

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No seio da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), que desenvolve projetos de investigação e desenvolvimento (I&D) que resultam em novas empresas de base tecnológica, algumas são reconhecidas com a chancela “Spin-off FEUP”, atribuída pela Unidade de Apoio à Investigação e Inovação (INOV) da FEUP.

É o caso da Hycarb, a mais recente “spin off” reconhecida pela FEUP, que apresenta uma solução tecnológica que garante ser “pioneira” para a produção de hidrogénio limpo através de clivagem catalítica de metano a temperatura intermédia (IT CMS), um processo “altamente eficiente que evita emissões diretas de CO2 e gera simultaneamente carbono grafítico de elevado valor acrescentado”.

Em comunicado, a FEUP afiança que “esta tecnologia disruptiva”, agora transferida para o mercado, resulta de quase duas décadas de investigação avançada em engenharia química desenvolvida no Laboratório de Engenharia de Processos, Ambiente, Biotecnologia e Energia (LEPABE) da FEUP.

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“A tecnologia IT CMS representa um avanço significativo face aos processos convencionais de produção de hidrogénio. Ao operar em temperaturas intermédias e com catalisadores altamente estáveis, o processo permite a decomposição do metano em hidrogénio e carbono sólido, evitando a formação de CO2”, descreve.

Quando aplicado ao biometano, “gera uma pegada carbónica negativa, contribuindo ativamente para a remoção de carbono da atmosfera”, realça.

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Esta abordagem, observa, “posiciona a HyCarb na vanguarda das tecnologias de hidrogénio descarbonizado”, num contexto global em que a competitividade económica e a sustentabilidade ambiental são determinantes.

Um dos elementos apresentados como “mais diferenciadores da solução é a capacidade de produzir carbono grafítico de elevada pureza e renovável, um material com aplicações industriais estratégicas e cujo valor de mercado pode ultrapassar os três euros por quilograma”.

A FEUP assegura que “a proporção de produção — cerca de um quilo de hidrogénio para três quilos de carbono — altera profundamente o modelo económico do processo, permitindo que o hidrogénio seja disponibilizado a custos inferiores aos combustíveis fósseis”.

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Adélio Mendes, professor catedrático do Departamento de Engenharia Química e Biológica da FEUP e que faz parte da equipa de fundadores da HyCarb certifica que esta tecnologia “é única” porque “traz hidrogénio a um preço inferior ao fóssil, e esta é que é a grande revolução”, sublinha.

“Sentimos que é a nossa responsabilidade, já que a tecnologia era extremamente promissora, trazê-la para o mercado, e foi isso que nos levou à criação da HyCarb, cuja missão é fazer a clivagem do metano para produzir carbono e hidrogénio descarbonizado e, se possível, de forma competitiva, contribuir para a descarbonização da atmosfera”, frisa o docente que integra o Conselho Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI).

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A maturidade científica da tecnologia foi consolidada no âmbito do projeto europeu 112CO2, financiado pelo programa FET Proactive e posteriormente integrado no European Innovation Council (EIC) como projeto Pathfinder, um reconhecimento reservado a iniciativas com elevado potencial de transformação industrial.

“Surgiu então a vontade de progredir para níveis de maturidade tecnológica (TRLs) mais elevados, subindo a escada do programa EIC, neste caso EIC – Transition, com o projeto europeu ZeroCarb, aprovado em 2025”, conta a FEUP.

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“Foi assim que a HyCarb surgiu, para facilitar a entrada no mercado e a comercialização da tecnologia IT-CMS”, explica.

Para Paula Dias, cofundadora da HyCarb e investigadora do LEPABE, este percurso representa “a demonstração de que a investigação de fronteira pode gerar soluções com impacto real na transição energética”.

A investigadora sublinha que o desenvolvimento da tecnologia IT CMS “permitiu alcançar níveis de eficiência e estabilidade catalítica que abrem caminho à produção de hidrogénio descarbonizado em larga escala, ao mesmo tempo que se obtém carbono grafítico de elevado valor industrial”.

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A criação da HyCarb “é o passo natural para garantir que esta inovação chega ao mercado e contribui para acelerar a descarbonização global”, remata Paula Dias.

“Com uma equipa altamente qualificada e focada na construção da primeira unidade piloto para validação industrial da tecnologia, a HyCarb posiciona se como um agente determinante na transição energética”, sinaliza a FEUP, concluindo que “a combinação entre ciência de fronteira, engenharia aplicada e visão estratégica coloca a empresa numa trajetória de impacto global, contribuindo para um futuro energético mais limpo, competitivo e tecnologicamente avançado”.

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