Tempestades impulsionam produção de energia hídrica da EDP. Preço da eletricidade caíu 48% no primeiro trimestre

As renováveis já representam 91% de toda a eletricidade produzida pela EDP. Tempestades do início do ano impulsionaram produção hídrica e fizeram cair o preço médio da eletricidade na Península Ibérica.
Miguel Stilwell d'Andrade, CEO da EDP
Miguel Baltazar
Inês Santinhos Gonçalves e Patrícia Vicente Rua 07:38

A produção total de eletricidade da EDP aumentou 4% no primeiro trimestre de 2026 para 19 TWh, em linha com o aumento na produção eólica e solar, com as energias renováveis a representarem 91% da produção total. Os dados constam dos dados operacionais previsionais enviados pela empresa esta manhã à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A produção hídrica aumentou 4% para 5,9 terawatt hora (TWh), e apesar de a maior subida se dever às operações no Brasil, na península Ibérica a produção ficou 0,9 TWh acima do esperado, com os recusos hídricos a ficarem 52% acima da média histórica devido às tempestades que atingiram o país no início do ano. "O aumento da produção hídrica e eólica, após sucessivas tempestades desde o final de janeiro, contribuiu para um crescimento significativo da produção renovável e para uma diminuição de 48% do preço médio de eletricidade na Península Ibérica, de 85,3 euros/MWh no 1T25 para 44,2 euros/MWh no 1T26", poder ler-se. Isto "apesar de um preço médio temporariamente baixo de 16,4 euros/MWh registado em fevereiro, devido ao excesso de precipitação".

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A forte precipitação que se fez sentir nesses meses teve também impacto nos níveis dos reservatórios: "situavam-se em 94% no final de março, um recorde nos últimos 10 anos para esta altura do ano (face aos 76% no final de 2025 e 89% em março de 2025). Espera-se que os elevados níveis dos reservatórios sustentem o desempenho do negócio de Geração Flexível nos próximos trimestres", diz a EDP.

As tempestades tiveram ainda impacto na produção térmica, que aumentou 4% em termos homólogos, "refletindo uma maior procura por serviços completares e energia flexível, após uma interrupção temporária no sistema de transmissão/interligação em fevereiro e março causada pelas tempestades". Consequentemente, "o componente de serviços de sistema elétrico e restrições no preço final da eletricidade, suportado pela comercialização de eletricidade, registou um aumento significativo em termos homólogos".

A EDP indica ainda que a execução do plano de rotações de ativos para 2026 "deverá concentrar-se no segundo semestre do ano". Até ao primeiro trimestre, a energética concluiu a transação de rotação de ativos de um portefólio eólico de 150 MW na Grécia. O número de clientes de eletricidade da EDP no mercado liberalizado em Portugal atingiu os 3.428 mil em março de 2026.

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Os resultados da EDP relativos ao primeiro trimestre serão divulgados dia 6 de maio de 2026. A conference call com o CEO Miguel Stilwell d'Andrade e o CFO Rui Teixeira será no dia 7, às 08:00.

Por sua vez, a EDP Renováveis arrancou 2026 com um aumento da produção para 11,3 TWh no primeiro trimestre, mais 0,4 TWh em termos homólogos, suportado por uma capacidade instalada de 20,5 GW. O desempenho foi impulsionado sobretudo pela América do Norte e Europa, com recursos acima da média, compensando a quebra registada na América do Sul.

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Nos últimos 12 meses, a empresa adicionou 2,0 GW de capacidade bruta, com destaque para a América do Norte (1,1 GW) e Europa (0,7 GW), que em conjunto representaram 87% do total. Por tecnologia, o crescimento foi liderado pelo solar (1,0 GW), seguido do eólico onshore (0,6 GW), armazenamento em baterias (0,3 GW) e eólico offshore (0,1 GW), refletindo a crescente diversificação do portefólio.

A rotação de ativos manteve-se como um pilar relevante da estratégia, com transações que totalizaram 0,9 GW — cerca de metade das adições brutas — contribuindo para um aumento líquido de 1,2 GW da capacidade instalada face ao período homólogo. No âmbito desta estratégia, a EDPR concluiu a venda de um portfólio eólico de 150 MW na Grécia, com o encaixe financeiro a ser reconhecido no primeiro trimestre de 2026, embora os ganhos tenham sido registados no final de 2025.

Em termos operacionais, a Europa destacou-se pela positiva, com um aumento de 5% na produção, impulsionado por condições meteorológicas favoráveis na Península Ibérica, nomeadamente episódios de vento mais intensos. Em Portugal, a produção eólica cresceu 15%, refletindo esse efeito. Já na América do Norte, o crescimento foi mais contido (+2%), enquanto a América do Sul permaneceu praticamente estável, penalizada por menores recursos, sobretudo no Brasil.

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O pipeline de crescimento conta com 1,9 GW em construção no final de março e mais de 90% das adições previstas para 2026 já asseguradas. A aposta mantém-se centrada nos Estados Unidos — sobretudo em solar e baterias — e na Europa, incluindo projetos offshore em França e na Polónia. Ainda assim, o desempenho operacional continua exposto à variabilidade dos recursos e a fatores como "curtailment", que limitaram parcialmente o impacto positivo das novas instalações no arranque do ano.

Os resultados da EDPR relativos ao primeiro trimestre serão divulgados dia 6 de maio de 2026. A conference call com analistas terá lugar no mesmo dia às 15:30.


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