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EDP sofre maior queda em 12 meses após cortar previsões

As acções caíram perto de 5%, com o mercado a reagir de forma negativa às novas metas de resultados da eléctrica para este ano.

A EDP não deu novidades aos investidores sobre as investigações judiciais sobre suspeitas de corrupção nos contratos dos Custos de Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC), segundo o CaixaBank BPI. Os responsáveis da eléctrica indicaram que a gestão não foi alvo de novas abordagens pelas autoridades em relação a essa matéria. Já em relação aos ajustamentos dos CMEC para os próximos dez anos, a empresa indicou que ainda não foram tomadas decisões, mas prevê que não sofram alterações muito significativas. Já em relação à EDP Renováveis, reiterou que a actual situação se deverá manter no médio prazo, depois de a EDP não ter conseguido mais de 90% da eólica na OPA. O preço-alvo é de 3,70 euros com análise 'neutral'.
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O mercado reagiu de forma negativa ao corte de estimativas que a EDP anunciou esta sexta-feira, levando as acções a sofrerem a maior quebra diária em bolsa desde 11 de Novembro do ano passado, poucos dias depois das eleições nos Estados Unidos que levaram à Casa Branca um presidente visto como pouco amigo das energias renováveis.

 

As acções fecharam a sessão a cair 4,58% para 2,956 euros. A 15 de Maio deste ano registou uma queda mais forte (-6,42%), mas foi nesse dia que descontou o pagamento do dividendo.

 

A descida de hoje (que chegou a ser de 6,88% para 2,885 euros) atirou a cotação da eléctrica para um mínimo de 12 de Julho deste ano e retirou cerca de 520 milhões de euros à capitalização da empresa. A cotada liderada por António Mexia está avaliada no mercado em 10,8 mil milhões de euros, ficando assim mais distante da empresa portuguesa mais valiosa (a Galp tem uma capitalização bolsista de 13,2 mil milhões de euros).

 

O desempenho negativo da EDP surgiu depois da eléctrica, numa apresentação a investidores, ter revisto em baixa a previsão de lucros para este ano.

 

Num documento publicado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a eléctrica situa entre 850 e 900 milhões de euros o resultado líquido recorrente esperado para 2017, o que compara com a anterior estimativa de um valor igual ou superior a 919 milhões de euros.

 

Para o EBITDA recorrente, a empresa liderada por António Mexia colocava a fasquia nos 3,6 mil milhões de euros, admitindo agora um intervalo mais recuado, entre 3,5 e 3,6 mil milhões.

 

A justificar esta revisão estão algumas adversidades na produção e comercialização na Península Ibérica, entre as quais volumes hídricos mais baixos do que o esperado, aumento dos preços das bolsas de electricidade e maiores custos regulatórios. Apesar da revisão em baixa, a EDP mantém o dividendo em 0,19 euros por acção.

 

EDP não se compromete com metas para 2018

 

Numa nota de reacção à "conference call" com analistas, o Haitong atribui o desempenho das acções à revisão das estimativas, mas também ao acrescido risco regulatório nas renováveis nos Estados Unidos.

 

Além do corte de estimativas para este ano, o Haitong assinala que mais relevante é conhecer as previsões para 2018. Contudo, na conversa telefónica com analistas, a EDP não se quis comprometer, citando a falta de visibilidade sobre o impacto de algumas medidas regulatórias.

 

Quanto às previsões para este ano, o banco de investimento assinala que tem uma estimativa mais baixa para o EBITDA (3.512 milhões de euros) do que a nova meta da EDP. Quanto aos lucros recorrentes, o Haitong aponta para 849 milhões de euros em 2017, também abaixo da estimativa revista pela EDP.

 

Quanto às restantes metas delineadas pela EDP, o Haitong destaca o aumento da meta de corte de custos (de 155 para 180 milhões de euros), pois mostra que a empresa está a "tentar compensar o ambiente regulatório mais difícil com melhores métricas de eficiência".

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