Energia EDP encaixou 600 milhões com venda de défice tarifário

EDP encaixou 600 milhões com venda de défice tarifário

Esta é uma forma da energética encaixar imediatamente o valor do sobrecusto de produção de electricidade. Caso contrário, teria de esperar alguns anos para receber o valor. A dívida tarifária ronda os cinco mil milhões e só deverá estar resolvida daqui a 10 anos.
EDP encaixou 600 milhões com venda de défice tarifário
André Cabrita-Mendes 21 de julho de 2016 às 17:54
A EDP Serviço Universal vendeu à Tagus parte do défice tarifário de 2016. Com este negócio, a energética encaixou 600 milhões de euros, anunciou a EDP esta quinta-feira, 21 de Julho.

Antes desta venda, o montante de défice tarifário de 2016 em dívida à EDP Serviço Universal aproximava-se dos 800 milhões. A dívida tarifária total em Portugal no final de 2015 chegava quase aos cinco mil milhões de euros.

O défice tarifário deste ano "resultou do diferimento por cinco anos da recuperação do sobrecusto de 2016 relacionado com a aquisição de energia aos produtores em regime especial".

Esta é uma forma da EDP encaixar imediatamente este valor, não tendo de esperar anos para receber o dinheiro. Só nos últimos meses a energética encaixou mais de 500 milhões, com a venda de 200 milhões de défice, de 73 milhões de euros e de mais de 300 milhões.

Nas suas previsões, o Governo estima que a dívida tarifária só ficará resolvida em 2025/2026. Ainda recentemente no Parlamento, o secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, apontou para esta data para que a dívida seja reduzida para valores próximos de zero.

Mas os consumidores podem vir a sofrer um novo aumento da factura, devido ao aumento do serviço da dívida. "Sem a adopção de medidas adicionais, as quais se encontram em preparação, o serviço da dívida tarifária disparará para, pelo menos, 1,8 mil milhões de euros, constituindo uma parcela substancial dos encargos a suportar pelos consumidores em 2017", disse a Direcção-Geral de Energia e Geologia num comunicado publicado esta quinta-feira.

O negócio foi conduzido pela Stormharbour, que é conhecida em Portugal por ter sido uma das assessoras do IGCP para avaliar as perdas das empresas públicas com a celebração de contratos de cobertura de risco ("swaps") e definir os contratos designados complexos.



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