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Há mais de 60 anos que não se descobria tão pouco petróleo

Tanto nos EUA como no resto do mundo, a descoberta de novas jazidas de ouro negro ficou em mínimos de 63 anos. A prazo, a travagem na descoberta pode abrir um gap entre procura e oferta, alerta o Morgan Stanley.

Paulo Zacarias Gomes paulozgomes@negocios.pt 23 de Maio de 2016 às 13:15
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As descobertas de petróleo travaram a fundo no ano passado, com 2015 a ser o ano em que menos jazidas foram detectadas desde 1952.


Segundo as contas de analistas do Morgan Stanley citando a Rystad Energy, divulgadas esta segunda-feira, 23 de Maio, foram descobertos 2,8 mil milhões de barris de petróleo em 2015 fora dos Estados Unidos, o que equivale a um mês de consumo a nível mundial. Incluindo aquele país, as descobertas aumentam para 12,1 mil milhões, também o valor mais baixo em 63 anos.

Esta foi mais uma das consequências das fortes quedas do preço do petróleo nos mercados internacionais no ano passado, que levaram companhias como a Shell e a Exxon Mobil a cortarem o investimento em exploração perante o excesso de produção internacional e os sinais de abrandamento das principais economias do mundo.


A prazo, adverte o banco, o recuo na descoberta de novos poços pode levar a um distanciamento entre a oferta e a procura no futuro. Segundo o Morgan Stanley, mesmo com a previsão da queda mundial do consumo em 86 milhões de barris em 2030 devido aos compromissos para limitação do aumento da temperatura média mundial, cerca de dois terços da procura actual só podem ser satisfeitos através dos campos em produção ou que se encontram já em desenvolvimento.


Por outro lado, a reentrada de players no mercado – caso do Irão, abolidas que estão as sanções comerciais – poderá criar um efeito de compensação, ao derramar mais oferta a nível internacional.


O Morgan Stanley espera que as empresas em média gastem mais do que até ao momento nos próximos 25 anos para criar nova capacidade, mesmo tendo em conta a queda de fornecimento antecipada pela aplicação dos acordos do clima em Paris. Ainda assim, a actividade de exploração continua a ser "desafiante", perante a deterioração das receitas desta actividade nos últimos anos.


O preço das unidades de referência a nível internacional reage em direcções distintas, com o West Texas Intermediate a registar os primeiros ganhos em quatro sessões, avançando 0,34% para 47,91 dólares por barril em Nova Iorque, enquanto o brent do Mar do Norte perde valor pela quarta sessão (-0,9% para 48,28 dólares).

 

A condicionar as negociações desta segunda-feira estão também o reinício de fornecimento de petróleo no Canadá, depois dos fogos florestais que lavraram durante semanas, e a continuação do aumento das exportações do Irão. 

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