Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Mira Amaral: "Monstro eléctrico" teve origem no governo de José Sócrates

Mira Amaral diz que "o governo de Sócrates esqueceu-se que já havia muita potência contratada através dos CAE [Contratos de Aquisição de Energia] e CMEC [Custos de Manutenção do Equilíbrio Contratual],

Inês Lourenço
Lusa 04 de Julho de 2018 às 18:28
  • Assine já 1€/1 mês
  • 17
  • ...
O antigo ministro da Energia Mira Amaral defendeu esta quarta-feira, 4 de Julho, que "o desastre do sistema eléctrico teve origem em 2007, quando o Governo de José Sócrates, com Manuel Pinho como ministro, decidiu instalar 8.000 megawatt [MW] de potência eólica remunerada".

Numa audição na comissão parlamentar de inquérito às rendas da energia, Mira Amaral chamou a si a introdução das novas fontes de energia renovável, quando abriu "a produção eléctrica ao sector privado, acabando assim com o monopólio da EDP na produção para estimular outros produtores, designadamente de fontes renováveis", o que, realçou, lhe dá "autoridade política, moral e técnica para criticar o monstro eléctrico criado".

"O desastre do actual sistema eléctrico português teve origem em 2007, quando o então governo de José Sócrates, com Manuel Pinho como ministro da Economia, com a tutela da energia, decidiu instalar 8.000 MW de potência eólica remunerada por 15 a 20 anos com tarifas 'feed-in' [tarifas bonificadas de venda]", defendeu o antigo ministro.

Para Mira Amaral, "o governo de Sócrates esqueceu-se que já havia muita potência contratada através dos CAE [Contratos de Aquisição de Energia] e CMEC [Custos de Manutenção do Equilíbrio Contratual], os quais asseguravam o pagamento dos custos fixos de centrais que passaram a trabalhar então em apoio às intermitentes, tendo começado a instalar capacidade eólica em duplicação a essa potência existente coberta pelos CAE e CMEC".

"Dos 8.000 MW de eólicas intermitentes, vieram-se efectivamente a instalar até agora cerca de 5.300 MW, número este que é muito superior aos 3.500 MW de potência de consumo em Portugal nas horas de vazio durante a noite", afirmou.

Engenheiro electrotécnico de formação, Luís Mira Amaral foi, entre 1987 e 1995, ministro da Indústria e da Energia, altura em que surgiram os CAE, figura criada para "atrair investimento", aplicado a duas centrais privadas. Os CAE aplicados à EDP são "posteriores" à sua saída do governo, disse.

"OS CAE às centrais da EDP são de 1996, não foram comigo, mas do governo de António Guterres", declarou.
Ver comentários
Saber mais Mira Amaral José Sócrates CAE CMEC EDP Manuel Pinho energia
Outras Notícias