Europa deve perder 10 refinarias até ao final da década
A diminuição da procura de derivados petrolíferos, que caiu para mínimos de 19 anos, vai obrigar ao fecho de várias instalações das petrolíferas europeias. Até 2020, estima-se que das 104 refinarias existentes em solo europeu, 10 devem encerrar permanentemente.
Das 104 instalações petrolíferas em solo europeu, 10 devem fechar permanentemente até ao final da década, nomeadamente em França, Itália e República Checa, revela um inquérito elaborado pela Bloomberg.
Com a diminuição da procura de derivados petrolíferos, que caiu para mínimos de 19 anos, as refinarias da Europa prevêem o fecho de 10% das suas instalações. De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), o consumo de produtos petrolíferos soma o quinto ano de perdas consecutivas, recuando para níveis de 1994. Em 2011, dois terços das refinarias europeias tiveram prejuízos.
“Puramente do ponto de vista da quebra da procura na Europa, uma grande refinaria ou duas instalações europeias mais pequenas vão ter de fechar por ano”, afirma David Wech, director de pesquisa da JBC Energy.
A prejudicar as refinarias da Europa estão as petrolíferas norte-americanas e as russas, uma vez que as primeiras têm acesso a petróleo e gás natural mais barato e as segundas a um regime de impostos de exportação mais favorável.
A procura na Europa deverá cair para os 13,6 milhões de barris por dia este ano, comparativamente com os 15,4 milhões por dia que se registavam em 2008, revela a AIE.
Poucas são as refinarias europeias que têm capital para investir na expansão e melhoria das instalações. A Hellenic Petroleum, na Grécia, a polaca Grupa Lotos e a Galp Energia são das poucas petrolíferas na Europa que investiram para aumentar a rentabilidade das suas refinarias.
Galp contraria tendência e investe mais de mil milhões em Sines
A petrolífera portuguesa aplicou 1.050 milhões de euros na reconversão da refinaria de Sines, ao que se deve somar ainda 350 milhões investidos na unidade de Matosinhos.
O novo aparelho refinador da Galp vai permitir a Portugal tornar-se auto-suficiente em gasóleo e permitirá ainda que o grupo exporte 1,8 milhões de toneladas por ano, como refere a edição do Negócios desta sexta-feira.
A Galp estima que o investimento produza um impacto positivo na balança comercial portuguesa, que pode chegar aos 450 milhões de euros anuais. Cavaco Silva inaugura hoje a nova refinaria de Sines.