Tarifa social custará 40 milhões por ano à EDP, Mexia diz que "não é justo"
A eléctrica prevê uma factura de 40 milhões se a medida abranger meio milhão de consumidores. A proposta do Governo, porém, prevê que a tarifa chegue a um milhão de consumidores economicamente carenciados.
A EDP voltou à carga sobre o novo regime de tarifa social na energia. A companhia prevê um custo anual de 40 milhões de euros se a medida for aplicada a 500 mil famílias. De acordo com a proposta original, a medida deverá chegar a um milhão de famílias, podendo aumentar a factura para o dobro, 80 milhões.
"Portugal foi o único país que adoptou isto. Não é justo", criticou António Mexia esta quinta-feira, 5 de Maio, durante o encontro com investidores no EDP Capital Markets Day em Londres.
"Gostamos da ideia da tarifa social, mas gostamos da proposta da Comissão Europeia, do Parlamento Europeu", acrescentou o presidente da EDP perante uma plateia constituída por analistas.
Neste sentido, a EDP está a "trabalhar para que Portugal adopte filosofia europeia e não a filosofia nacional".
Um pouco antes, o administrador Miguel Stilwell de Andrade tinha concretizado o modelo defendido pelas instâncias europeias, frisando, no entanto, que a tarifa social é importante para os consumidores carenciados. "Defendemos que este custo deve seguir as linhas europeias: deve ser suportado pelo Orçamento do Estado ou ser suportado pelos outros consumidores".
O novo regime da tarifa social foi proposto pelo Bloco de Esquerda e aceite pelo Governo de António Costa. As mudanças entram em vigor no mês de Julho e prevêem a atribuição automática da tarifa social aos consumidores economicamente carenciados. O desconto vai ser totalmente suportado pelo sector eléctrico, enquanto no anterior modelo um terço dos custos saía do Orçamento do Estado.
A medida abrange actualmente 140 mil consumidores que contam com um desconto de 34% na electricidade e gás natural. No entanto, este valor está longe da meta inicial de 500 mil consumidores que deveriam ser abrangidos.