Investimento em imobiliário comercial sobe 39% no 1.º trimestre

A hotelaria liderou, com 39% do volume e um crescimento de 130% em termos homólogos.
Retalho e alojamento são os grandes motores do crescimento registado
Nuno Alfarrobinha / Correio da Manhã
Lusa 11:15

O investimento em imobiliário comercial em Portugal aumentou 39%, para 911 milhões de euros, no primeiro trimestre em termos homólogos, registando um volume 130% acima da média dos primeiros trimestres dos últimos três anos, informou esta segunda a Savills.

Em comunicado, a consultora aponta o 'hospitality' e o retalho como os "segmentos em destaque", concentrando, em conjunto, mais de 70% do investimento.

PUB

Já a hotelaria liderou, com 39% do volume e um crescimento de 130% em termos homólogos, "apoiada na força do turismo", e o retalho assegurou 37% da atividade, "beneficiando de níveis de afluência estáveis e de uma oferta limitada de ativos 'prime' disponíveis no mercado".

A Savills ressalva que 53% do volume total de investimento em retalho correspondeu à venda de participações relacionadas com o Gaia Shopping e o Arrábida Shopping, adquiridas através de uma parceria entre a Sonae Sierra e o Crédito Agrícola.

Por sua vez, o segmento de escritórios representou apenas 5% do investimento no primeiro trimestre, uma queda homóloga de 53%.

PUB

Segundo a consultora, "este desempenho não resulta de falta de produto disponível, nem de uma procura ocupacional fraca": "Pelo contrário, é sobretudo explicado por um desfasamento de expectativas de preço entre compradores e vendedores, que continua a adiar a concretização de transações", explica.

Adicionalmente, "Portugal enfrenta uma concorrência crescente de outros mercados europeus que oferecem 'yields' competitivas e disputam cada vez mais a atenção dos investidores".

De acordo com a Savills, a logística apresenta "uma dinâmica estruturalmente semelhante", já que, apesar de continuar a ser uma das classes de ativos mais procuradas nos mercados europeus, continua a registar em Portugal volumes transacionais "limitados pela reduzida oferta de ativos 'prime' a chegar ao mercado".

PUB

Quanto aos 'data centres', surgem pela primeira vez com uma quota de 5% do investimento, marcando "a entrada deste tipo de ativo na estratégia dos investidores em Portugal", em linha com a expansão das infraestruturas digitais na Europa.

Citado no comunicado, o diretor e 'head of Lisbon' da Savills Portugal, Pedro Figueiras, considera que "o arranque de 2026 confirma a robustez do mercado de investimento imobiliário comercial em Portugal".

"Estamos a assistir ao fecho de operações e a um apetite continuado por parte de investidores nacionais e internacionais, sobretudo nos segmentos com fundamentais mais sólidos. Num contexto em que o sul da Europa continua a captar atenção pela combinação entre crescimento, procura turística e reconfiguração de cadeias logísticas, Portugal destaca-se pela estabilidade, pela qualidade do produto e pela capacidade de oferecer oportunidades com um perfil risco/retorno muito competitivo", sustenta.

PUB

Neste contexto, o responsável diz encarar os próximos trimestres "com otimismo, assente no apetite do capital, na dinâmica transacional em curso e na atratividade estrutural do país".

Ao nível do capital, a Savills destaca, no trimestre, o peso de investidores institucionais e de fundos de 'private equity', que concentraram 64% do montante aplicado (34% relativo a investidores institucionais e 30% a 'private equity').

Já o capital nacional consolidou uma quota de 47%, no que a consultora interpreta como um "sinal de confiança dos investidores portugueses no mercado interno", enquanto os Estados Unidos, Espanha e França asseguraram 37% da atividade 'cross-border'.

PUB

O valor transacionado foi também suportado por um aumento do 'ticket' médio das operações, que se fixou em cerca de 32,5 milhões de euros, cerca de 2% acima do nível do ano anterior.

Embora a incerteza global persista, a Savills considera que "o ambiente político estável de Portugal, os sólidos fundamentais do lado ocupacional e a procura consistente por parte dos investidores posicionam o país como um dos mercados imobiliários mais resilientes do sul da Europa".

Pub
Pub
Pub