Riopele com 1.174 trabalhadores e vendas de 99 milhões reforça investida nos EUA com John Varvatos
Em 1927, o jovem empreendedor José Dias de Oliveira fundava a Riopele com a instalação de dois teares para a produção de tecidos (cotins e riscados) num moinho de água, situado na margem esquerda do rio Pele, em Pousada de Saramagos, concelho de Vila Nova de Famalicão.
Cerca de 26 anos depois, José Dias de Oliveira morre, sucedendo-lhe na direção da empresa o seu filho mais velho, José da Costa Oliveira, então com 22 anos.
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Aquando do 25 de abril de 1974, os trabalhadores da Riopele colocam-se ao lado da administração e recusam as greves.
À entrada do novo século, a liberalização do comércio têxtil e vestuário mundial, que desmantela barreiras e gera um ambiente de competição global, agudiza a crise interna que a Riopele vinha a enfrentar, a que acresce a morte de José da Costa Oliveira, com a empresa a entrar numa fase de transição da liderança.
Em 2007, José Alexandre Oliveira, neto do fundador e filho de José da Costa Oliveira, assume a presidência da administração da Riopele e profissionaliza os órgãos de gestão, tendo meia dúzia de anos depois passado a deter a totalidade do capital social da empresa.
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O ano de 2023 ficou marcado pela chegada da quarta geração da família Oliveira à Riopele, com Francisca Oliveira a assumir a função de “business development manager”.
A Riopele distingue-se pela sua integração vertical, abrangendo áreas como criação, I&D, fiação, tecelagem, tinturaria, ultimação e confeção, tendo fechado o ano de 2025 com uma faturação de 99 milhões de euros, mais meio milhão do que no ano anterior, lucros de 4,5 milhões e um efetivo de 1.174 trabalhadores.
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A produção de tecido para a indústria da moda continuou a representar a principal fatia das vendas do grupo, seguindo-se o segmento de vestuário, desenvolvido sob a insígnia Riopele Fashion Solutions, e a comercialização de fio.
Exportando mais de 98% da sua produção para cerca de 30 países e 700 clientes, os mercados canadiano e norte-americano “assumem um papel particularmente estratégico para o grupo, impulsionados pelo elevado poder de compra, pela valorização de produtos premium, de qualidade e sustentáveis, bem como pelo reconhecimento do selo ‘made in Portugal’, associado a design, inovação e ao cumprimento de rigorosas normas sociais e ambientais”, realça a Riopele.
“Conheço a Riopele há quase 30 anos e sempre a vi como uma empresa extraordinariamente inovadora”
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E é precisamente para reforçar o posicionamento da empresa nos mercados internacionais, em particular no norte-americano, que a Riopele acaba de firmar uma parceria com John Varvatos, renomado designer de moda norte-americano, numa colaboração criativa para desenvolver uma coleção de tecidos de “menswear” inspirada na herança têxtil, no “craftsmanship” e na estética “vintage”.
A coleção será apresentada em julho, na Milano Unica, numa altura em que a Riopele se prepara para celebrar o seu 100.º aniversário.
Reconhecido como uma das referências do “menswear” contemporâneo, John Varvatos construiu uma carreira marcada pela reinvenção da alfaiataria masculina e pela fusão entre herança, cultura rock e sofisticação contemporânea, tendo ao longo da sua carreira liderado o design de marcas como a Ralph Lauren e a Calvin Klein, antes de lançar a sua marca homónima em 2000.
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“Fiel ao universo criativo de John Varvatos, esta colaboração reinventa o modelo tradicional de apresentação têxtil, ultrapassando as habituais coleções de amostras. Nesta coleção, Varvatos apresenta um conceito integrado de guarda-roupa, transversal a diferentes peças e categorias de produto: uma abordagem inovadora e pouco convencional na indústria têxtil”, realça a Riopele, em comunicado.
“A ideia por detrás desta coleção nasce da convicção de que é preciso respeitar o passado para conseguir avançar. Na Riopele encontrei uma combinação rara entre ‘craftsmanship’, inspiração ‘vintage’ e inovação, traduzida em tecidos com textura e personalidade, mas simultaneamente leves, orientados para a performance e fáceis de cuidar”, sublinha John Varvatos.
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A colaboração reflete também uma longa relação comercial entre o Varvatos e a empresa: “Conheço a Riopele há quase 30 anos e sempre a vi como uma empresa extraordinariamente inovadora — no design, nos tecidos e na forma como combina tradição com uma visão contemporânea da indústria. Poucas empresas conseguem unir ‘heritage’, performance, sustentabilidade e criatividade como a Riopele faz”, considera o designer de moda norte-americano.
“Colaborar com o John Varvatos traz-nos o melhor dos dois mundos, ao combinar a perspetiva de criador e comprador. Compreende como desenvolver produto com verdadeira integridade criativa e, ao mesmo tempo, sabe exatamente o que resulta no mercado”, salienta, por sua vez, Massimo Cedraschi, diretor-geral de operações da Riopele para a América do Norte.
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