Vallis do Porto adquire duas cerâmicas com 560 trabalhadores e continua às compras
“Esta transação assinala igualmente o início de um processo estruturado de consolidação do setor em Portugal”, sinaliza a Costa Verde, que foi adquirida pela "private equity", sócia de Ronaldo na Insparya que também comprou a Ceramirupe.
A 9 de fevereiro, o Negócios noticiava que um fundo da Vallis tinha adquirido 65% do capital da alcobacense Ceramirupe, que tem 240 trabalhadores e faturou no ano passado 12,4 milhões de euros, dos quais 95% foram gerados em exportações, e que iria continuar sob a liderança do fundador, Rui Santos.
“Esta transação marca também o início de uma consolidação do setor que pretendemos liderar, com vários outros alvos atualmente em análise”, adiantava, na altura, Eduardo Rocha, CEO da “private equity” Vallis, que é uma das donas da rede de clínicas de transplantes capilares Insparya, onde tem Cristiano Ronaldo como sócio.
Quatro dias depois, o Negócios avançava que o fundo da Vallis tinha firmado a compra da Costa Verde, operação que a “private equity” com sede no Porto não quis comentar.
3 de março de 2026: “A Porcelanas da Costa Verde S.A. informa o mercado e os seus ‘stakeholders’ que foi adquirida pelo Fundo Vallis Sustainable Investments II, gerido pela Vallis Capital Partners, numa transação formalizada no passado dia 27 de fevereiro”, confirma a empresa de cerâmica, em comunicado.
Costa Verde gera no estrageiro mais de dois terços da faturação de 16 milhões
Fundada em 1992, em Vagos, a Costa Verde é uma empresa especializada no fabrico de porcelana para uso doméstico e profissional, com particular enfoque no canal hoteleiro e da restauração, que emprega cerca de 320 e encontra-se presente em mais de 50 países em todo o mundo.
“A internacionalização constitui um dos pilares estratégicos da empresa, sendo que mais de dois terços do seu volume de negócios têm origem nos mercados externos”, realça a Costa Verde, que no ano passado “registou um volume de negócios próximo dos 16 milhões de euros, refletindo a consistência da sua estratégia comercial e a solidez da sua carteira de clientes internacionais”, enfatiza.
A operação agora concluída, detalha, corresponde à aquisição de 83,5% do capital social da sociedade, participação anteriormente detida pelos principais distribuidores nacionais.
“Esta alteração na estrutura acionista representa o início de um novo ciclo de crescimento para a empresa, assegurando maior robustez financeira, reforço da capacidade estratégica e melhores condições para concretizar um plano de desenvolvimento ambicioso e sustentado”, afiança a Costa Verde.
Objetivo: “Criação de um grupo industrial de referência no setor do ‘tableware’”
A entrada da Vallis Capital Partners na Costa Verde “enquadra-se numa estratégia de criação de um grupo industrial de referência no setor do ‘tableware’” (cerâmica de mesa)”, aponta, recordando que o fundo entrou recentemente nesta indústria através da aquisição da fabricante de grés Ceramirupe.
“A complementaridade entre as duas unidades industriais, quer ao nível do portefólio de produtos, quer ao nível das competências produtivas e comerciais, permitirá potenciar sinergias relevantes e reforçar a competitividade do grupo nos mercados nacionais e internacionais”, sustenta a Costa Verde, adiantando que “esta transação assinala igualmente o início de um processo estruturado de consolidação do setor em Portugal”.
O objetivo estratégico, aponta, passa “por criar um operador com escala, forte presença exportadora e capacidade de afirmação no contexto europeu”.
Para a Costa Verde, esta nova etapa “permitirá acelerar o investimento em inovação, eficiência produtiva, sustentabilidade ambiental e reforço da marca nos mercados externos”, mantendo a sua identidade e equipa de gestão, liderada por Miguel Neves, filho do fundador e CEO da empresa, onde fica com uma participação de 13,5%.
“Com esta aquisição, reforça-se a confiança no potencial da indústria cerâmica portuguesa e na capacidade das empresas nacionais para competir com sucesso num mercado global exigente e altamente competitivo”, remata a Costa Verde.
Vallis também é dona da Logifrio, Europalco, Arka e Docout
Para além da Costa Verde, da Ceramirupe e da Insparya, a atual carteira da Vallis inclui empresas como a Logifrio, operadora logística ibérica para produtos alimentares com temperatura controlada; a Europalco, líder de mercado portuguesa em organização de eventos e aluguer de equipamentos audiovisuais; a Arka, empresa de produção e distribuição de dispositivos médicos, líder e pioneira na Europa na produção de luvas de nitrilo para exames; ou a Docout, empresa espanhola que presta serviços de armazenamento de registos físicos, digitalização de documentos e BPO administrativo e gestão documental.
A Vallis tem como sócios-fundadores Eduardo Rocha, Luís Santos Carvalho e Luís Palma da Graça.
(Notícia atualizada às 10:12)
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