Fundos do Golfo Pérsico investem no negócio Paramount-Warner Bros. apesar da guerra

Entidades de investimento soberano da Arábia Saudita, Qatar e Abu Dhabi vão contribuir com cerca de 24 mil milhões de dólares para financiar a compra dos históricos estúdios de cinema e televisão, de acordo com o Wall Street Journal.
Paramount
Jae C. Hong / Associated Press
Pedro Barros Costa 06 de Abril de 2026 às 21:54

Apesar de a guerra que envolve o Médio Oriente estar a causar danos económicos significativos, isso não parece travar a disponibilidade de alguns petroestados para investir em negócios no Ocidente. A Paramount assinou compromissos de investimento de três fundos soberanos de países do Golfo de cerca de 24 mil milhões de dólares para apoiar financeiramente a compra da Warner Bros. Discovery, avançou o Wall Street Journal.          

O Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita vai avançar com cerca de 10 mil milhões de dólares para o negócio liderado por David Ellison, filho do multimilionário Larry Ellison, cofundador da Oracle, tido como próximo do Presidente dos EUA, Donald Trump. O negócio inclui a participação da Autoridade de Investimento do Qatar e da L’imad Holding, plataforma de investimento soberano do Abu Dhabi, de acordo com fontes citadas pelo jornal.

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Os acordos surgem num momento em que permanece o impasse sobre o conflito no Médio Oriente, depois de um conjunto de mediadores ter apresentado um plano de cessar-fogo, prontamente rejeitado pelo Irão, e . O prolongar das hostilidades faz com que os Estados do Golfo tenham dificuldades em escoar a produção de petróleo, devido ao bloqueio do estreito, por onde pasa 20% da oferta global. Vários países da região também viram as suas infraestruturas energéticas atingidas pelos ataques iranianos.       

Ainda assim, isso não impediu estes três fundos soberanos do Médio Oriente de participarem num dos mais conturbados negócios do setor dos media nos EUA. Depois de uma longa batalha com a Netflix pela compra da empresa dos históricos estúdios de cinema e televisão, que detém também ativos como o serviço de streaming HBO ou o canal de notícias CNN, . Com o investimento dos fundos do Golfo, fica garantido o financiamento de uma parcela significativa da operação, que deve ficar concluída no final de julho, depois da aprovação dos reguladores europeus, refere o WSJ.                

No âmbito do negócio, financiado principalmente pela família Ellison e pela RedBird Capital Partners, a Paramount anunciou que qualquer participação conjunta no capital não afetaria a transação, porque a quantia necessária seria garantida pelos Ellison. Os investidores do Golfo não terão direitos de voto na nova empresa, pelo que a participação não deverá desencadear a revisão do negócio pelo Comité de Investimento Estrangeiro nos EUA, de acordo com o WSJ, nem da Comissão Federal de Comunicações (FCC), o regulador norte-americano do setor, uma vez que cada entidade vai deter bastante menos do que 25% do capital da empresa conjunta.

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