Media Anunciantes contestam “monopólio” imposto pela Câmara de Lisboa para outdoors

Anunciantes contestam “monopólio” imposto pela Câmara de Lisboa para outdoors

A associação que representa os anunciantes considera que modelo da concessão do espaço publicitário “prejudica o mercado”. E alerta que os efeitos “monopolistas” vão acabar por ser “repercutidos nos consumidores”.
Anunciantes contestam “monopólio” imposto pela Câmara de Lisboa para outdoors
Bloomberg
Sara Ribeiro 06 de agosto de 2018 às 18:29

O concurso para a concessão do espaço publicitário exterior de Lisboa continua a gerar contestações, incluindo por parte dos futuros anunciantes. A Associação Portuguesa de Anunciantes (APAN) considera que o modelo imposto pela Câmara Municipal de Lisboa é "monopolista", uma vez que é atribuído a um só vencedor. O que "reduz a oferta de posições" e aumenta "os preços". Efeitos que "acabarão por ser repercutidos nos consumidores", avisa a entidade em comunicado enviado às redacções esta segunda-feira, 6 de Agosto.

O concurso de outdoor da capital, ganho pela JCDecaux por um período de 15 anos, tem gerado alguma polémica depois de no início do ano a Câmara ter alterado a decisão preliminar que apontava a MOP como vencedora. Isto porque os concorrentes levantaram algumas dúvidas sobre a capacidade financeira das empresas criadas pela MOP [Cartazes & Panoramas] pouco tempo antes do concurso. Meio ano depois, a Câmara viria a comunicar que a concessão voltaria para as mãos da JCDecaux.

Para a APAN, "o concurso foi marcado por um episódio bizarro: a reversão, pela CML, da decisão que a própria tinha tomado em relação aos vencedores. Primeiro decidiu favoravelmente em relação a um concorrente, mas depois voltou atrás nesta decisão e atribuiu a vitória a outro".

Mal soube da reviravolta do concurso, a MOP anunciou que não ia ficar de braços cruzados e iria contestar a decisão por considerar que é "ilegal" e que "prejudica interesses dos cidadãos". A associação que representa os anunciantes partilha do mesmo entendimento. E, aliás, além de discordar da forma como todo o processo decorreu, "também se opõe à mais recente decisão da Câmara de Lisboa de invocar o interesse público para travar a providência cautelar interposta para suspender a adjudicação" à JC Decaux.

A APAN já manifestou o seu desagrado à CML, segundo Manuela Botelho, secretária geral da instituição. "[A APAN] reuniu com a CML e comunicou a sua posição e sempre se manifestou disponível para debater uma solução equilibrada. Propôs alternativas, mas pelos vistos a CML optou por ignorar os anunciantes. Iremos, no entanto, continuar a defender a nossa posição junto de quem entenda os malefícios de um monopólio com estas características", sublinha a responsável.

Mas as críticas de Manuela Botelho não ficam por aqui: "É incompreensível que o executivo camarário use o argumento da urgência inadiável para tomar esta posição quando esteve cerca de dois anos para tomar uma decisão sobre o concurso", acrescenta.




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