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Meios de comunicação apontam para queda de 40% no tráfego vindo dos motores de busca

Aposta em resumos gerados por IA deverá ter impacto significativo no tráfego gerado para websites nos próximos três anos. Publicações ligadas aos temas de estilo de vida já estão a sentir a quebra.

Meios de comunicação apontam para queda de 40% no tráfego vindo dos motores de busca
Meios de comunicação apontam para queda de 40% no tráfego vindo dos motores de busca Matthias Balk / picture-alliance / dpa / Associated Press
09:50

Os 'publishers' preveem uma queda acima de 40% do tráfego dos motores de busca nos próximos três anos, afirmando terem sido afetados pelos resumos de IA da Google, segundo o relatório do Reuters Institute for the Study of Journalism.

Estas são algumas das conclusões do relatório sobre tendências e previsões para o jornalismo e tecnologia "Journalism and Technology Trends and Predictions 2026" divulgadas esta semana e que recolheu respostas de 280 líderes de media de 51 países e territórios.

"Publishers [editores] preveem uma queda de mais de 40% no tráfego proveniente de motores de busca nos próximos três anos - não chega a ser um 'Google Zero', mas ainda assim representa um impacto substancial", lê-se no documento.

Dados fornecidos para este relatório pela Chartbeat "mostram que o tráfego agregado para centenas de 'sites' de notícias proveniente da Google Search já começou a diminuir, com os 'publishers' que dependem de conteúdo sobre estilo de vida a afirmar terem sido particularmente afetados pelo lançamento dos resumos de IA do Google".

Tal acontece depois de substanciais quedas "no tráfego de referência para 'sites' de notícias proveniente do Facebook (-43%) e do X, antigo Twitter (-46%), nos últimos três anos".

"Estamos ainda na fase inicial de outra grande transformação tecnológica (IA generativa) que ameaça revolucionar a indústria jornalística, oferecendo formas mais eficientes de aceder e sintetizar informação em larga escala", refere o estudo.

Ao mesmo tempo, "os criadores de conteúdos e os influenciadores (humanos) estão a impulsionar uma mudança para notícias centradas em personalidades, em detrimento de instituições de media que, muitas vezes, parecem menos relevantes, menos interessantes e menos autênticas".

Em 2026, "é provável que os media estejam ainda mais pressionados por estas duas forças poderosas", refere o relatório.

"O declínio do envolvimento com os media tradicionais, aliado à baixa confiança, está a levar muitos políticos, empresários e celebridades a concluir que podem ignorar completamente os media, dando entrevistas a podcasters ou YouTubers simpáticos à sua imagem", aponta o estudo.

Esta estratégia "do tipo "Trump 2.0" - agora amplamente copiada em todo o mundo - é frequentemente acompanhada por uma série de ameaças legais intimidatórias contra os meios de comunicação social e tentativas contínuas de minar a confiança, rotulando os meios de comunicação independentes e os jornalistas individuais como 'fake news'".

Estas narrativas encontram terreno fértil entre o público - sobretudo o mais jovem - "que prefere a conveniência de aceder às notícias através das plataformas digitais e tem ligações mais fracas" com as marcas de media tradicionais.

Entretanto, "os motores de busca estão a transformar-se em motores de resposta automatizados por inteligência artificial [IA], onde o conteúdo é apresentado em janelas de 'chat', aumentando os receios de que o tráfego de referência para os 'publishers' possa secar, prejudicando os modelos de negócio atuais e futuros", aponta o relatório.

Apesar das dificuldades, "muitas organizações noticiosas tradicionais continuam otimistas em relação aos seus próprios negócios -- se não em relação ao jornalismo em si".

Os 'publishers' estarão focados este ano "em reengenharia dos seus negócios para a era da IA, com conteúdos mais diferenciados e uma abordagem mais humana".

Além disso, irão olhar além do artigo, "investindo mais em múltiplos formatos, especialmente vídeo, e ajustando o seu conteúdo para o tornar mais 'fluido' e, portanto, mais fácil de reformatar e personalizar".

Paralelamente, "continuarão a procurar a melhor forma de utilizar a IA generativa nas suas próprias operações de recolha, produção e distribuição de notícias", o que "é um equilíbrio delicado, mas que -- se conseguirem alcançar -- promete maior eficiência e um jornalismo mais relevante e envolvente".

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