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Ventura propõe comissão no parlamento sobre reforma do Estado presidida por Passos

Líder do Chega considerou que liderar a comissão permitiria ao antigo presidente do PSD ter uma "participação mais institucional".

Ventura rejeita que Passos Coelho seja uma ameaça ao Chega.
Ventura rejeita que Passos Coelho seja uma ameaça ao Chega. Manuel de Almeida / Lusa
15:06

O presidente do Chega, André Ventura, propôs este domingo, 1 de março, a criação de uma comissão no parlamento dedicada à reforma do Estado presidida pelo antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, e rejeitou que o social-democrata seja uma ameaça ao seu partido.

"A proposta fica feita publicamente: haver uma comissão de reforma do Estado no parlamento, nestas várias áreas em que temos trabalhado, na questão fiscal, na questão da Administração Pública, na questão da energia e da reformulação energética, na questão da habitação e até podemos ter um consenso entre Chega, PSD, Iniciativa Liberal, de ser Pedro Passos Coelho a liderar este grupo de reforma do Estado, por exemplo", sugeriu o líder do Chega, em declarações à margem da feira de turismo BTL, em Lisboa.

Na ótica do líder do Chega, o atual ministério da Reforma do Estado "não tem funcionado", sugerindo a criação de uma comissão na Assembleia da República sobre o tema que reunisse "pessoas das várias áreas da sociedade civil".

Considerando que Passos Coelho tem partilhado publicamente "ideias muito interessantes", Ventura considerou que presidir a esta comissão permitiria ao antigo presidente do PSD ter uma "participação mais institucional".

Interrogado sobre as recentes declarações de Passos Coelho, que no sábado não excluiu um regresso à vida política ativa, Ventura rejeitou que o reaparecimento público do antigo primeiro-ministro seja uma ameaça para o seu partido.

"O Chega tem o seu eleitorado muito definido e, como se viu agora nas eleições presidenciais, é um eleitorado que está em crescendo, já alcança um terço do país, na sua totalidade. E se achasse isso, não estava a dizer o que estou aqui a propor", argumentou.

Quando um ex-primeiro ministro e, acima de tudo, alguém que conhece bem a realidade, alguém que tem espírito reformista, aparece em público para contribuir com as suas ideias para reformar o país, isso é bom e devemos ouvi-lo. André Ventura, presidente do Chega

André Ventura acrescentou que "quando um ex-primeiro ministro e, acima de tudo, alguém que conhece bem a realidade, alguém que tem espírito reformista, aparece em público para contribuir com as suas ideias para reformar o país, isso é bom e devemos ouvi-lo", acolhendo algumas propostas "dentro do possível".

No sábado, no aniversário do Instituto "+ Liberdade", em Lisboa, o antigo primeiro-ministro social-democrata Pedro Passos Coelho afirmou que "nunca se achou um inútil para a política" e rejeitou excluir um eventual regresso, realçando que se tal acontecer "não será pelas melhores razões".

Interrogado sobre se representa uma oposição interna a Luís Montenegro, primeiro-ministro e líder do PSD, Passos defendeu que "não precisa de pedir licença a ninguém" para dizer o que pensa, afirmando que há quem goste e quem não goste.

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