Meta vai comprar 51 mil milhões em "chips" à AMD e pode ficar com 10% da empresa
A Advanced Micro Devices (AMD) assinou um acordo com a Meta Platforms, dona do WhatsApp e do Instagram, para a venda de "chips" de inteligência artificial (IA) pelos próximos cinco anos. O negócio está avaliado num valor máximo de 60 mil milhões de dólares (cerca de 51 mil milhões de euros, à taxa de câmbio atual) e vai permitir à empresa liderada por Mark Zuckerberg comprar até 10% da fabricante de semicondutores, que quer agora assumir-se contra a rival Nvidia.
A AMD já tinha assinado um acordo semelhante o ano passado com a OpenAI - visto pelos investidores como um voto de confiança nos seus "chips" e software. Tal como aconteceu na altura, as ações da tecnológica estão a disparar, valorizando quase 14% no "pre-market", enquanto as da Meta não registam grande flutuação após o anúncio do acordo. Na semana passada, a dona do Facebook revelou que assinou um compromisso parecido com a Nvidia, sem a possibilidade de deter parte da empresa, num negócio que os analistas avaliarem em cerca de 50 mil milhões de dólares.
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A Meta vai, assim, começar a comprar "chips" e computadores à AMD a partir da segunda metade de 2026, por um período de cinco anos. Como parte do acordo, a fabricante de semicondutores emitiu "warrants" (instrumentos financeiros derivados que conferem ao investidor o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um ativo) relativos a 160 milhões de ações próprias, que a dona do Instagram poderá comprar por etapas, condicionadas à realização de certos objetivos.
Ao todo, e segundo revelou a CEO da AMD, Lisa Su, a tecnológica vai fornecer à Meta "chips" no valor de seis gigawatts, o equivalente à produção energética de seis reatores nucleares. A empresa de Zuckerberg passa a ter influência na forma como os semicondutores são produzidos, além de conseguir componentes especialmente adaptadas às suas necessidades. "As nossas ambições são bastante grandes", avançou Santosh Janardhan, diretor global de infraestrutura da Meta, ao anunciar a parceria.
O CEO da dona do WhatsApp quer tornar a IA a prioridade da empresa e este acordo é só mais um passo para alcançar este objetivo. Só este ano, a Meta pretende gastar na tecnologia entre os 115 e 135 mil milhões de dólares, "com um crescimento anual impulsionado pelo aumento do investimento para apoiar os esforços do Meta Superintelligence Labs e os negócios principais", referiu na apresentação de resultados de 2025 o diretor financeiro da tecnológica.
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A Meta pretende avançar ainda com o fabrico dos seus próprios "chips" de IA. Questionado sobre este objetivo, e como compagina com os acordos anunciados com a Nvidia e a AMD, Janardhan não tem dúvidas: "na escala a que estamos a falar, há lugar para todos os três", referiu, acrescentando que a tecnológica ainda não decidiu que centros de dados vão utilizar os semicondutores de cada empresa.
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