Altice com receitas de 2.811 milhões de euros em 2025. Investimento recuou

As receitas da empresa portuguesa subiram no trimestre e em todo o ano, mesmo com o peso da Altice Labs e com a "competitividade" na receita média por utilizador nas telecomunicações. O investimento chegou aos 403 milhões, mas ficou aquém do de 2024, com Ana Figueiredo a pedir uma "reforma profunda".
ana figueiredo
Miguel Baltazar /Jornal de Negócios
Inês Pinto Miguel 08:00

Altice Portugal terminou 2025 com receitas de 2.811 milhões de euros. Apesar de se verificar uma subida homóloga das receitas de 1,3%, a dona da Meo viu a Altice Labs e a operadora móvel pesarem nas contas.

O segmento de consumo foi o que mais impulsionou as receitas. "As receitas do segmento consumo ascenderam a 1.508 milhões de euros, refletindo um crescimento homólogo de 5%", destaca a Altice em comunicado, sendo que as receitas do segmento empresarial ascenderam a 1.303 milhões de euros, uma subida de 3,5%.

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"No ano passado, a Meo alcançou receitas de 2.811 milhões de euros, um crescimento de 1,3% face ao ano anterior, impulsionado sobretudo pelo dinamismo do segmento de consumo — que cresceu 5%, apoiado no forte desempenho da Meo Energia — e pelo aumento de 3,5% das receitas do segmento de serviços empresariais", destaca Ana Figueiredo, na sua mensagem trimestral.

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A dona da Meo atingiu receitas de 2.811 milhões de euros em 2025. Altice Labs continua a pesar nas contas.

A CEO da operadora de telecomunicações adianta que estes resultados "demonstram que a Meo está a executar, com rigor e consistência, a estratégia que definimos para transformar a empresa numa plataforma de serviços digitais, preparada para competir num setor em rápida mudança e assumir-se como uma techCo de referência". 

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A Meo explica que o negócio de energia "mitigou parcialmente a pressão sobre o ARPU telco [receita média por utilizador] num contexto de elevada competitividade", numa vez que no fim do ano anterior tinha entrada um novo operador móvel em Portugal que veio oferecer preços mais reduzidos.

Por sua vez, o EBITDA situou-se em 947 milhões de euros, diminuindo 4,8% face a 2024. "Excluindo os resultados da Altice Labs e perda progressiva do MVNO [operador móvel virtual], o EBITDA decresce 1,2% penalizado pelo impacto na receita da pressão sentida no ARPU telco e pelo aumento de custos decorrentes da inflação", justifica a operadora.

Olhando para o trimestre, as receitas atingiram os 737 milhões de euros, sentindo-se um aumento de 1,6%, enquanto o EBITDA caiu 0,6% para 230 milhões de euros. Sem o MVNO e a Altice Labs, as receitas teriam crescido 2,7% e o EBITDA subido 0,9%.

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Já o investimento atingiu os 403 milhões de euros. Trata-se de uma redução em relação ao investimento de 422 milhões de euros registado em 2024. A Meo explica que o investimento verificado no ano passado se deveu à "expansão e modernização das redes e infraestruturas". No último trimestre do ano, o investimento totalizou 111 milhões de euros, o que refletiu uma quebra homóloga de 13,9%.

De recordar que a empresa alienou a sua participação de 65% na Intelcia aos acionistas e à equipa de gestão desta empresa e vendeu o centro de dados que tinha na Covilhã à Asterion por 120 milhões de euros. Estes desinvestimentos foram anunciados em novembro, o que lhe permitiu ganhar algum encaixe financeiro.

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A operadora registou um investimento global de 403 milhões de euros, um valor mais curto do que aquele apresentado em 2024.

"Estes resultados ganham ainda mais significado à luz da passagem da depressão Kristin, que deixou um rasto de destruição sem precedentes, atingindo infraestruturas críticas em todo o país e colocando as telecomunicações no centro da resposta nacional. A Meo enfrentou danos de grande magnitude, com milhares de quilómetros de fibra, postes e torres afetados, e mesmo assim assegurou a reposição rápida dos serviços essenciais, graças ao trabalho incansável de centenas de profissionais no terreno", recorda Ana Figueiredo, referindo-se ao comboio de tempestades que aconteceu no fim de janeiro e início de fevereiro.

A líder da empresa portuguesa relembra ainda a "expansão do centro de redes de Linda-a-Velha, fortalecendo a capacidade de acolher tráfego internacional e aumentar a resiliência das ligações transatlânticas", tendo sido ainda criada uma "nova 'landing station' na região do Porto, um investimento estratégico que permitirá diversificar pontos de entrada no país, melhorar a redundância da infraestrutura nacional e atrair novos cabos submarinos para o território português". 

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Ainda assim, Ana Figueiredo denuncia um sentimento que tem vindo a inundar o setor. "O setor representa já 4,7% do PIB português, mas enfrenta queda de investimento, regressão da rentabilidade e uma fragmentação que impede a escala necessária para modernizar redes e sustentar a próxima vaga de inovação", vinca. A CEO adianta ainda que "sem uma reforma profunda - no Digital Networks Act e na política de concorrência - a Europa continuará a perder terreno face aos EUA e Ásia". 

Num momento em que Patrick Drahi está a vender vários ativos no seu portefólio - tendo, para já, posto de lado a venda da Altice Portugal - Ana Figueiredo destaca que a operadora "está pronta para continuar a investir, inovar, liderar e servir o país, num contexto que promova condições favoráveis ao investimento".

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