Credores e Pharol em desacordo sobre futuro da Oi
A Bloomberg avança que a Pharol opunha-se à solução que o anterior CEO estava a negociar com os credores, que iria provocar uma redução da fatia da Pharol na companhia brasileira.
O sucessor de Zeinal Bava na Oi apresentou a sua demissão na passada semana. Apesar de a companhia não ter apresentado nenhuma justificação, aparentemente a saída do presidente executivo estará relacionada com divergências internas sobre a participação da Pharol.
Bayard Gontijo (na foto) queria aprovar rapidamente os termos em discussão sobre a reestruturação da dívida com os credores internacionais, de converter dívida em capital, representados pelo banco norte-americano Moelis. Esta urgência do ex-CEO devia-se à maturidade de 231 milhões de euros de acções a 26 de Julho, num momento em que a Oi está com falta de liquidez.
Segundo as fontes ouvidas pela Bloomberg, a ideia era converter cerca de 25 mil milhões de reais (6,4 mil milhões de euros) em acções denominadas em moeda estrangeira de forma a aumentar a posição dos credores para 85%-90% do capital total da companhia.
A Pharol detém directamente e indirectamente 27,5% da Oi e estava preocupada com a diluição da sua fatia, disse uma fonte à Bloomberg. A companhia também estava interessada em saber se os accionistas teriam direito a participar num aumento de capital da Oi.
Os termos do acordo nunca foram submetidos formalmente ao Conselho de Administração e, como tal, nunca foram opostos oficialmente pela Pharol, que conta com quatro administradores do total de 11. O Conselho de Administração vai agora reunir-se esta quarta-feira, 15 de Junho, para discutir a reestruturação da dívida da Oi, que ronda os 50 mil milhões de reais (12,8 mil milhões de euros).
Mas a proposta em discussão com os credores também conta com o apoio de vários bancos brasileiros que têm uma exposição de 16 mil milhões de reais à Oi (4 mil milhões de euros). Como o Itau Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Económica Federal, e o estatal BNDES.
Com este aval, os bancos dariam à Oi um período de carência de quatro anos sem pagamentos. De volta, os bancos não sofreriam nenhuma redução no valor da dívida que detêm.
A Oi é a quarta maior operadora móvel no Brasil e opera parte da linha de telefone fixa do país. Bayard Gontijo assumiu o cargo em Outubro de 2014, após a saída de Zeinal Bava, e foi substituído por Marco Norci Schroeder, o actual administrador financeiro.
Este ano a Oi esteve em discussões com o milionário russo Mikhail Fridman para ajudar a financiar uma fusão da Oi com a TIM, detida pela Telecom Italia, mas o negócio caiu por terra em Fevereiro.