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Médio Oriente já impacta CTT, mas CEO desvaloriza. "Encomendas vão chegar, só estão atrasadas"

Os primeiros três meses do ano serão pesados para os CTT, com o CEO a admitir que deverão apresentar lucros inferiores aos 5,5 milhões de euros do ano passado. Estão três fatores a pressionar os ganhos, com o conflito no Médio Oriente a impactar grande parte da operação.

12:53

O primeiro trimestre será mais fraco para os CTT do que se perspetivava no arranque do ano, e a culpa será do conflito no Médio Oriente, mas também das tempestades que se registaram na Península Ibérica. O CEO dos Correios, João Bento, destaca a existência de três impactos externos para as contas dos primeiros três meses.

"Estamos a apontar para resultados mais fracos no primeiro trimestre, com uma eventual quebra em termos homólogos para este trimestre. Mas a nossa mensagem geral, e que eu quero sublinhar, é que estamos a apresentar uma previsão de crescimento para o ano como um todo", destaca o responsável, que deverá abandonar o grupo no final de abril, dando o seu lugar a Guy Pacheco.

Os CTT estão a estimar um crescimento anual de 8% no EBIT recorrente de 2026, passando de 115 milhões de euros no ano passado para cerca de 125 milhões de euros. A previsão é que o Banco CTT mantenha o seu peso estável no EBIT recorrente este ano, sendo que as soluções de "e-commerce" podem aumentar, uma vez que a , e a Cacesa já está totalmente integrada na operação.

Para o primeiro trimestre, João Bento evidencia o impacto de três fatores externos. "O primeiro, obviamente, é a geopolítica do Médio Oriente, que se agravou. Estamos a assistir a perturbações na cadeia de abastecimento, com impacto nos volumes e, naturalmente, nos custos, que são impulsionados principalmente pelo impacto dos custos do combustível, tanto no transporte de longa distância quanto no 'last mile'", sustenta na conferência com analistas.

Estamos a assistir a perturbações na cadeia de abastecimento, com impacto nos volumes e nos custos, que são impulsionados principalmente pelo combustível. João Bento
CEO dos CTT

Em termos de volume de encomendas, as notícias "são menos más". "Temos um efeito a curto prazo, porque os volumes previstos continuam elevados, o que significa que os consumidores continuam a comprar no comércio eletrónico, nomeadamente fora da Europa. Mas estas encomendas não chegam à Península Ibérica. Estão a seguir rotas mais lentas e outras ficam retidas. Portanto, sentem-se perturbações na logística. A boa notícia é que não são encomendas perdidas, apenas atrasadas. A curto prazo, este é o impacto menos grave que temos observado, e também temos observado um crescimento muito forte fora dos clientes asiáticos", explica o gestor dos CTT.

E João Bento dá mesmo o exemplo da Zalando. "Estamos com cinco vezes mais artigos do que aqueles que nos indicaram quando iniciámos a nossa relação, que aconteceu recentemente", significando que a os portugueses estão a alargar a dispersão geográfica a quem compram as suas encomendas.

O segundo impacto cinge-se ao temporal que assolou Portugal e Espanha. "Tivemos a tempestade Kristin em Portugal e no sul de Espanha. Isso causou dois efeitos negativos significativos. Em primeiro lugar, uma redução significativa do número de clientes que entraram nas nossas lojas e este menor volume implica menor volume de negócios, e em segundo lugar registámos uma perturbação operacional significativa, com custos operacionais elevados para manter as operações e a qualidade. Esperamos que isto volte ao normal", aponta.

125EBIT
Os CTT estão a prever um EBIT recorrente de 125 milhões de euros em 2026, mesmo com um impacto forte nos primeiros três meses.

O terceiro impacto, justifica, prende-se com a extensão da época festiva. "Registámos algum 'spill over' para janeiro", adiantou o gestor aos analistas, recordando que as encomendas se concentraram demasiado perto do Natal. "Ainda estávamos a preparar a capacidade e os volumes atrasaram, mas os que processámos [a tempo] foram positivos. Mas a concentração trouxe mais volatilidade e uma operação menos suave, mesmo com esforços para assegurar a qualidade" do serviço dos CTT, sendo que o Mediterrâneo, o sul espanhol e a região da Andaluzia e Barcelona foram as mais impactadas, com prendas de Natal a chegarem fora de horas.

E o esforço, segundo diz, pesou. "Tivemos custos significativos para manter a qualidade. Só para vos dar uma ideia: a procura pelos nossos serviços em Málaga multiplicou-se por duas vezes e meia, porque o mercado entrou em colapso. Portanto, houve um impacto significativo nos custos", assume João Bento.

"E o efeito de 'spill over' para janeiro, porque só conseguimos acabar de processar todas as encomendas no final de janeiro, o que, de certa forma, representa volumes a processar e custos associados sem as receitas correspondentes. E ajustámos também a capacidade do 'last mile', pelo que já estamos a observar um impacto favorável nos custos unitários", adianta o CEO.

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