OPEP+ vai aumentar produção de petróleo em mais 188 mil barris por dia
Reforço entrará em vigor a partir de junho, anunciou a aliança de países produtores e seus aliados.
A OPEP+, que junta os países produtores de petróleo e seus aliados, anunciou este domingo o reforço da produção mundial de petróleo em 188 mil barris por dia, a partir de junho. A decisão surge poucos dias depois de os Emirados Árabes Unidos terem anunciado a saída da organização e na sequência de uma reunião por teleconferência, foi anunciado este domingo em comuicado.
"Os sete países da OPEP+, que já tinham anunciado ajustamentos voluntários adicionais em abril e novembro de 2023, nomeadamente a Arábia Saudita, a Rússia, o Iraque, o Kuwait, o Cazaquistão, a Argélia e Omã, reuniram-se virtualmente a 3 de maio de 2026 para analisar as condições e as perspetivas do mercado global", começa por explicar a organização.
"No seu compromisso coletivo de apoiar a estabilidade do mercado petrolífero, os sete países participantes decidiram implementar um ajuste de produção de 188 mil barris por dia a partir dos ajustes voluntários adicionais anunciados em abril de 2023", explicam também, detalhando que "este ajuste será implementado em junho de 2026".
Segundo uma tabela que acompanha a nota da OPEP+, a Rússia e a Arábia Saudita serão os países que farão o maior incremento, disponibilizando mais 62 mil barris por dia, cada. Segue-se o Iraque com mais 26 mil barris/dia, o Kuwait com 16 mil, o Cazaquistão com 10 mil, a Argélia com 6 mil e Omã com 5 mil.
No comunicado, a OPEP+ adianta que "os países continuarão a acompanhar e a avaliar de perto as condições de mercado e, no âmbito dos seus esforços contínuos para apoiar a estabilidade do mercado, reafirmaram a importância de adotar uma abordagem cautelosa e de manter total flexibilidade para aumentar, suspender ou reverter a eliminação gradual dos ajustamentos voluntários de produção, incluindo a reversão dos ajustamentos voluntários anteriormente implementados e anunciados em novembro de 2023".
Os sete países da OPEP+ realizarão reuniões mensais para "analisar as condições do mercado, a conformidade e a compensação" da produção, sendo que o próximo encontro está agendado para 7 de junho.
Quebra em março após guerra no Irão
A produção da OPEP em março caiu quase 8 milhões de barris diários e 27,5% em relação à verificada em fevereiro, devido à guerra no Irão e ao bloqueio do estreito de Ormuz.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) precisou no relatório de março, o primeiro mês em que se reflete o impacto da guerra, que os quase oito milhões de barris diários foram calculados por vários institutos independentes. Os países mais afetados pela Guerra no Irão, iniciada em 28 de fevereiro pelos EUA e por Israel, e pelo bloqueio do estreito de Ormuz foram o Iraque e os países do Golfo Pérsico.
O relatório frisava então que "os acontecimentos a leste do Suez" e os ataques iranianos às instalações da indústria petrolífera de vários países da região tinham causado quedas drásticas na produção da Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Iraque e, em menor medida, Irão.
A 28 de abril, os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram que iriam abandonar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) após integrar o cartel durante seis décadas, indicando que pretende um "realinhamento estratégico" na sequência da guerra no Irão, citados pela a agência noticiosa estatal WAM.
A saída do cartel seria efetivada no dia 1 de maio, foi então anunciado, e permitiria ao país responder às mudanças na procura, com o objetivo de aumentar de forma gradual a oferta de crude, acrescentou a WAM.
A decisão referia a "evolução de políticas do setor para aumentar a flexibilidade na resposta à dinâmica do mercado, ao mesmo tempo que continuará a contribuir para a estabilidade do mercado de forma ponderada e responsável". A saída da OPEP tinha por base o "interesse nacional" e um "compromisso para contribuir de forma efetiva" para responder às prementes necessidades do mercado.