Companhias da SATA reduzem prejuízos em 2025. Azores Airlines com saldo negativo de 54 milhões de euros
As companhias aéreas do Grupo SATA continuam a registar prejuízo em 2025, mas melhoraram as suas contas em relação ao ano anterior. A Azores Airlines, companhia em fase de reestruturação e que será privatizada, registou um prejuízo de 53,9 milhões de euros, enquanto a SATA Air Açores, que faz a ligação interilhas, apresentou um saldo negativo de 6,4 milhões de euros. Ainda assim, o EBITDA alcançado em todos os segmentos de negócio foram positivos e mostram que o grupo tem feito progressos.
"Os resultados alcançados traduzem progressos concretos no processo de recuperação do Grupo, permitindo reduzir desequilíbrios operacionais e reforçar a capacidade de geração de resultados, mantendo simultaneamente o compromisso com a prestação de um serviço essencial para a mobilidade e coesão territorial da Região Autónoma dos Açores", sustenta o comunicado divulgado esta sexta-feira, 22 de maio.
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O EBITDA "passou a ser positivo em todas as empresas operacionais do Grupo SATA", lê-se, tendo melhorado na Azores Airlines e na GEstão de Aeródromos, que passaram agora para terreno "verde".
Na visão do presidente do conselho de administração do Grupo SATA, Tiago Santos, estes números refletem "o empenho de todas as equipas do grupo em consolidar as medidas previstas no plano de sustentabilidade apresentado em 2024 e que está a ter um impacto positivo nas contas". "Apesar dos desafios colocados pelo contexto internacional, estamos num caminho de reforço da estabilidade operacional e de melhoria da eficiência", sustenta o ex-diretor financeiro.
Presidente do Conselho de Administração do Grupo SATA
O grupo açoriano detalha que a companhia que faz a ligação para fora do arquipélago transportou 1,6 milhões de passageiros em 2025, uma diminuição de 4,6% em relação aos 1,7 milhões que tinha movimentado no ano anterior. Este recuo está intimamente ligado à menor operação: foram operados 11.488 voos, uma quebra de 1,9% face a 2024, o que fez com que a taxa de ocupação média recuasse para os 82%.
Também as receitas operacionais caíram para os 307,7 milhões de euros em 2025, uma queda de 8,4%, o que reflete "ajustamentos operacionais e menor procura em determinados mercados". Já os custos da operação reduziram-se em 15% para 286,2 milhões de euros, "apoiados por reduções de custos estruturais", nos custos com "wet leasing" de 14,5 milhões, nos custos com o 'catering' a bordo de 5,2 milhões de euros e 1,5 milhões de euros em custos de indemnização de passageiros.
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Estas reduções nos custos, aponta o grupo de aviação, "compensaram aumentos inevitáveis, nomeadamente 1,4 milhões de euros em despesas com pessoal resultantes de acordos assinados em 2024 e 9,3 milhões de euros em custos de manutenção, estes últimos impulsionados pela escassez persistente no mercado de componentes de aeronaves".
Ainda assim, a SATA indica que estes dados permitiram "uma melhoria muito expressiva do EBITDA", que aumentou 22,2 milhões de euros, tendo passado de um saldo negativo de 690 milhares de euros para o "verde", na ordem dos 21,5 milhões. Isso fez com que o resultado líquido também apresentasse uma "melhoria relevante", ainda que se mantivesse em território negativo, passando de 71,2 milhões de euros para 53,9 milhões, uma redução de 17,3 milhões de euros, tendo sido impactado por efeitos cambiais e fiscais de 7,4 milhões de euros.
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A empresa adianta ainda que este resultado líquido também sofreu com a falta de compensação financeira relacionada com as rotas de Obrigação de Serviço Público, tal como o Negócios já tinha revelado no início do ano. Na altura, o CEO do grupo açoriano, Tiago Santos, apontava perdas anuais de 12 milhões de euros com estas obrigações, sendo que a SATA aponta agora que o défice operacional ascendeu a 13,8 milhões de euros em 2025. Ainda assim, a expectativa é que este número dê a volta este ano, uma vez que foi recentemente adjudicado um novo contrato ao abrigo do serviço público em consórcio com a TAP e que deverá começar a voar ainda no primeiro trimestre.
Já a SATA Air Açores, que faz a ligação dentro da Região Autónoma, operou um total de 19.135 voos, um aumento ligeiro de 0,5%, tendo transportado 1,05 milhões de passageiros, mais 4,5% do que em 2024. Isso fez com que a taxa de ocupação média subisse para os 80,4%, mais 3,1 pontos percentuais em relação à taxa de 77,3% de 2024, uma vez que está refletido o crescimento da procura.
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As receitas operacionais subiram 16,2% para 139,6 milhões de euros no ano passado, "beneficiando do aumento da procura e de um maior volume de compensações no âmbito das obrigações de serviço público". Por sua vez, os custos operacionais cresceram 11,7% para 129 milhões de euros, refletindo "o aumento dos encargos com manutenção, custos com pessoal resultantes de acordos assinados em 2024 e os custos associados a ACMI [wet leasing], decorrentes de irregularidades operacionais".
O EBITDA mais do que duplicou em 2025, passando para 10,6 milhões de euros. Assim, o resultado líquido apresentou "uma melhoria expressiva, passando de -11,6 milhões de euros em 2024 para -6,4 milhões de euros em 2025, traduzindo uma redução do prejuízo em 5,2 milhões de euros".
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A contrariar estas perdas está o segmento da gestão de aeródromos, que "manteve uma operação estável e alinhada com as previsões orçamentais". O lucro cresceu, passando de 244 mil euros para 1,9 milhões de euros no espaço de um ano, assentes na subida de 40,9% das receitas operacionais, que ascenderam a 7,8 milhões de euros, "suportadas pelo aumento da atividade e enquadramento das compensações associadas ao serviço público aeroportuário".
Ainda assim, os custos operacionais subiram para 6,1 milhões de euros, significando um acréscimo de 6,5%. "A evolução combinada de receitas e custos permitiu uma inversão significativa do desempenho operacional, com o EBITDA a passar de ngativo em 244 mil euros em 2024 para 1,6 milhões de euros em 2025", explica o grupo.
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