Pedro Nuno Santos desafia Governo e PS. Mantém-se contra Estado minoritário na TAP

O antigo ministro das Infraestruturas do Partido Socialista atirou farpas ao Executivo do social-democrata Luís Montenegro sobre a venda da TAP à Lufthansa. "Não há nada que [o Governo tenha feito] que seja da sua responsabilidade", diz.
Pedro Nuno Santos tutelou a TAP no Governo liderado por António Costa.
José Sena Goulão / Lusa
Negócios 20:01

Pedro Nuno Santos, antigo ministro das Infraestruturas e ex-secretário geral do Partido Socialista (PS), considera que a venda de até 49,9% da TAP à Lufthansa por 1,2 mil milhões de euros, fechada quarta-feira, só foi possível graças à reestruturação feita pelo Governo de António Costa, e acusa o atual Executivo de querer ficar com os louros do negócio. E sublinhou que "durante anos", a AD criticou a intervenção na companhia aérea e disse que o investimento seria irrecuperável.

"O que o novo Governo fez foi o que qualquer um de nós faria, não há nada que seja da sua responsabilidade e que possa fazer dizer ‘fomos nós’. O Governo fez uma venda que só é possível por causa do trabalho de reestruturação bem-sucedida que nós fizemos", afirmou, esta quinta-feira, em entrevista à CNN Portugal.

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Pedro Nuno Santos reiterou também ser contra a privatização total da TAP, que o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, já defendeu. E deixou recados que não foram só para o Governo, mas também para o PS. "Sou contra a privatização da maioria do capital da TAP, não muda nada. Teria sido um crime deixarmos a TAP falir e fechar", considerou.

Para Pedro Nuno Santos, este "bom negócio" dá "razão" ao antigo Executivo socialista. O ex-ministro lembrou que o atual primeiro-ministro, o social-democrata Luís Montenegro, chegou a dizer que seria impossível recuperar o investimento feito para salvar a companhia aérea. "Aquilo que podemos confirmar é que PSD, AD e Luís Montenegro estiveram estes anos todos enganados ou a enganar os portugueses, porque nos termos deles vamos recuperar o investimento", atirou.

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"Estiveram anos a destratar o PS e a mim enquanto ministro e ontem celebram uma venda", acrescentou Pedro Nuno Santos, que classificou a versão do Governo como uma "história da carochinha que só acredita quem quer".

Apesar de considerar o negócio positivo, Pedro Nuno Santos entende que o melhor momento para vender teria sido 2024, quando a TAP vinha do "maior lucro da história". "Em 2024, o primeiro ano deste Governo, a TAP tem um lucro de 53 milhões de euros, em 2025 só tem de quatro milhões e vamos ver se em 2026 não voltamos ao prejuízo", disse, responsabilizando o atual Executivo pela degradação das margens da companhia.

O Governo escolheu esta quarta-feira a Lufthansa , o que justificou com o encaixe de 1.201 milhões de euros que assegura. A escolha prevê também um reforço da frota da companhia portuguesa e novos investimentos em Portugal.

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