CT: Governo deu mais um passo no processo de desestabilização da TAP
A Comissão de Trabalhadores da transportadora aérea considera que o processo de privatização não é "claro" e acusa o governo de esconder documentos.
A decisão de privatizar a TAP está, no entender da Comissão de Trabalhadores (CT), a "motivar mais uma campanha de propaganda": "Os mesmos que passaram anos a desvalorizar a TAP, tentando convencer-nos de que a TAP não valia nada, dizem agora que a venderam por 350 milhões [de euros], mais 53 aviões, mais 10% dos dividendos para os trabalhadores. Mas é tudo mentira, é tudo propaganda, são tudo truques de vendedores de património alheio, num negócio nada claro e cujos documentos são escondidos desta Comissão de Trabalhadores, e não só, à margem da lei e da Constituição."
Em comunicado enviado às redacções, a CT sublinha que o processo de privatização ainda não está concluído, já que "falta a decisão do Supremo Tribunal Administrativo relativamente à providência cautelar, do Tribunal de Contas, da Assembleia da República e de Bruxelas."
Sobre David Neeleman, a Comissão de Trabalhadores refere que, em 2007, o empresário "foi despedido como CEO da companhia aérea JetBlue, empresa que o próprio fundou, depois de uma série de irregularidades operacionais que mancharam indelevelmente a imagem da low-cost norte-americana e afectaram negativamente os seus resultados".
A Comissão de Trabalhadores refere-se a uma situação ocorrida a 14 de Fevereiro de 2007. Nesse dia, as condições climatéricas no aeroporto JFK, em Nova Iorque, obrigaram a JetBlue a cancelar mais de mil voos. Oito mil passageiros ficaram fechados nos aviões mais de nove horas e a empresa demorou quase uma semana a regressar à normalidade. Na sequência destes acontecimentos, Neeleman demitiu-se do cargo de CEO mas permaneceu no conselho de administração.