Consumo elétrico bate recorde no primeiro trimestre. Renováveis asseguram 80% da procura
Dados da REN mostram que a produção limpa dominou o arranque de 2026, com forte contributo da hídrica e da eólica, enquanto consumo de gás disparou, impulsionado pela produção elétrica
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O consumo de eletricidade em Portugal atingiu um máximo histórico no primeiro trimestre de 2026, totalizando 14,6 terawatt-hora (TWh), superando em 3,8% o anterior pico, de 14,1 TWh, alcançado em 2025 — ou em 3,9% quando corrigido dos efeitos de temperatura e número de dias úteis.
Apesar do crescimento acumulado, março interrompeu a trajetória de subida dos últimos meses, com uma ligeira quebra homóloga de 0,6%. Ainda assim, corrigindo os efeitos de calendário e temperatura, o consumo registou uma variação positiva de 1,4%.
"Do lado da oferta, as energias renováveis asseguraram 80% do consumo no conjunto do trimestre, com destaque para a produção hídrica (38%) e eólica (32%)", realça a REN. A solar representou 6% e a biomassa 4%. Já a produção com gás natural, embora pressionada por constrangimentos no sistema na sequência da depressão “Kristin”, não ultrapassou 16% do consumo. O saldo importador de eletricidade representou os restantes 3%.
As condições meteorológicas foram particularmente favoráveis à produção renovável, explica a REN, com o índice de produtibilidade hidroelétrica a atingir 1,52 e o eólico 1,15, ambos acima da média histórica. Em sentido contrário, a produtibilidade solar ficou abaixo do normal, com um índice de 0,65.
Em março, as renováveis asseguraram 76% do consumo, enquanto a produção não renovável representou 15% e as importações líquidas 9%. A hídrica voltou a destacar-se, com um índice de produtibilidade de 1,27, enquanto a eólica (0,89) e a solar (0,71) ficaram abaixo da média.
No mercado do gás natural, mantém-se a tendência de crescimento da procura, com um aumento homólogo de 10,3% em março. A subida foi impulsionada pelo segmento de produção de eletricidade, que disparou 79%, compensando a quebra de 6,8% no consumo convencional.
No conjunto do trimestre, o consumo de gás natural cresceu 13,8%, refletindo um aumento de 54% na produção elétrica, enquanto o segmento convencional se manteve praticamente estável, com uma variação de 0,2%.
O abastecimento nacional foi assegurado maioritariamente pelo terminal de GNL de Sines, responsável por 82% do consumo no trimestre — e por 97% em março. A Nigéria, responsável por 37%, os Estados Unidos por 36% e a Rússia (10%) foram as principais origens do gás. As entradas via interligação com Espanha representaram os restantes 18% no trimestre e apenas 3% no mês de março.