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Novo aeroporto: "A solução A ou B é neutra para a ANA. Mas não é para passageiros ou cidadãos"

O CEO da gestora aeroportuária nacional defendeu que na avaliação das diferentes opções aeroportuárias é preciso saber quanto custa cada uma e de onde vem o financiamento, qual é o calendário da implementação e qual é a sua viabilidade ambiental.

Thierry Ligonnière garante que da DIA para o Montijo, a ANA vai implementar o que é da sua responsabilidade.
Miguel A. Lopes/Lusa
Maria João Babo mbabo@negocios.pt 29 de Novembro de 2022 às 16:13

O presidente executivo da ANA – Aeroportos de Portugal, Thierry Ligonnière,  defendeu esta terça-feira, na conferência "Novo aeroporto: tempo de decidir", promovida pelo Conselho Económico e Social e pelo jornal Público, que "é importante ser progressivo no aumento da capacidade" aeroportuária da região de Lisboa.

Na sua intervenção, o CEO da gestora aeroportuária nacional, afirmou que a "ANA não tem cor partidária nem doutrina política e não tem ligação ao que houve anteriormente", frisando que a empresa "é das entidades mais objetivas neste processo". No entanto, alertou, a decisão que será tomada deve ter em conta a situação do transporte aéreo, das finanças públicas e das companhias aéreas.

Thierry Ligonnière, que salientou a "enorme perda de oportunidades económica para o país", frisou não pretender defender uma localização em concreto, mas sim acabar com alguns mitos, negando que a ANA tenha poder de impor uma solução ao Estado e assegurando que a empresa não defende uma solução que satisfaça os seus lucros, mas sim os objetivos do concedente.

"A solução A ou B é neutra para a ANA. Mas não é para passageiros ou cidadãos", disse, explicando que o financiamento da futura infraestrutura pode se assegurado pelas taxas aeroportuárias ou pelo aumento do tráfego, mas pode vir a exigir também subsídios.


Em seu entender, há critérios que são fundamentais para avaliar as diferentes opções aeroportuárias.

Desde logo, quanto custa cada opção e de onde vem financiamento? , questionou, salientando a situação atual das companhias aéreas depois da crise provocada pela covid-19, e alertando que a parte que falta levaria a um aumento da dívida publica ou aumento de impostos.

Thierry Ligonnière aconselhou ainda a que se olhe "para o calendário da implementação das diferentes opções", de forma a calcular com isso "o custo da perda de oportunidade para o país em cada um dos casos". "Cada dia perdemos oportunidades, as companhias vão desenvolver rotas noutros locais", frisou, acrescentando que "temos pedidos de companhias que não conseguimos desenvolver por falta de slots"


Em terceiro lugar, realçou a viabilidade ambiental, lembrando que "cada projeto aeroportuário está sujeito a uma enorme oposição e guerra jurídica".  "Isso é verdade para todas as opções, mas construir novas pistas é visto como provocação na luta contra as alterações climáticas", disse, sublinhando que "o risco de não se conseguir a declaração de impacte ambiental deve ser seriamente avaliado", caso contrário "ficaríamos sem solução".

"O que é bom para ANA é bom para Portugal", assegurou ainda o responsável, frisando que em 2023 a ANA vai pagar 240 milhões de impostos ao Estado e vai começar a partilhar receitas com o Estado de mais de 2,5 mil milhões de euros até ao fim do prazo da concessão.

O CEO da ANA assegurou ainda que a empresa vai avançar com as obras no aeroporto Humberto Delgado, que "não são para aumentar a capacidade, mas sim o desempenho ambiental e conforto passageiros".


"Estamos desde já a avançar com intervenções de melhoria e a trabalhar com o Governo para que restantes obras possam avançar", frisou, recordando que a empresa tem o objetivo que "em 10 anos os aeroportos portugueses sejam neutros em carbono".

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