Presidente do Eixo Atlântico promete empenho para resolver diferendo Porto/Vigo
O presidente do Eixo Atlântico (EA) garantiu hoje, 19 de Fevereiro, que vai empenhar-se pessoalmente em aproximar os autarcas do Porto e de Vigo para resolver o corte de relações motivado pela ligação da TAP entre aquela cidade galega e Lisboa.
A polémica com o fim de algumas ligações da TAP no aeroporto Sá Carneiro, que serve a Invicta, continua a ter novos episódios todos os dias. O mais recente entre o autarca do Porto e o seu homónimo em Vigo.
O presidente do Eixo Atlântico, Ricardo Rio, tem tentado travar as posições extremadas. "Obviamente que um EA sem Vigo, sem o Porto, ou sem outros concelhos de referência fica mais pobre. Não permitiremos que isso venha a acontecer. Por isso irei empenhar-me pessoalmente em voltar a trazer ativamente Vigo e o Porto para a participação no seio do Eixo", afirmou Ricardo Rio, em declarações aos jornalistas à margem de uma visita às obras renaturalização do Rio Este, Braga.
"Faço tenções de, nos próximos dias, contactar um e outro [autarcas] para os tentar motivar para uma participação mais consensual no quadro desta associação e da reivindicação das questões que verdadeiramente interessam a todos", acrescentou o responsável da associação transfronteiriça que congrega 38 cidades.
O alcaide de Vigo, Abel Caballero, anunciou na quinta-feira, 18 de Fevereiro, o corte de relações com o Porto devido a uma entrevista na qual o seu homólogo portuense, Rui Moreira, afirma que Vigo se sente "como a salsicha fresca dentro de uma francesinha, com um aeroporto miserável".
Em resposta às declarações de Moreira à revista Visão sobre a intenção da TAP de criar uma ligação entre Vigo e Lisboa, Caballero exigiu um "pedido de perdão" à cidade galega pelo "insulto claríssimo e intolerável" de foi alvo.
"Este tipo de guerras intestinas, de guerras de paróquia, são particularmente oportunas para quem nos quer fragilizar as posições e para quem quer deixar passar, pelos pingos da chuva, opções muito lesivas para o interesse da eurorregião", critica Ricardo Rio.
Para o presidente do EA, os voos da TAP são uma questão "de interesse regional" que se transformaram, "para conveniência de alguns, num diferendo pessoal entre dois autarcas".
De acordo com o também presidente da Câmara de Braga, o EA "obviamente perde" se os seus membros não estiverem "todos devidamente comprometidos com as muitas aspirações e projetos" que desenvolve.
Ricardo Rio lembrou que Porto e Vigo são "membros fundadores e os únicos membros de pleno direito, em contínuo, na comissão executiva" do EA, tendo, por isso, "responsabilidade acrescida com a eurorregião" com 25 anos de história.
O responsável notou ainda que os membros do EA já manifestaram, "no quadro do interesse global da eurorregião", o "repúdio unânime" da retirada de linhas aéreas do aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto.
Rui Moreira tem criticado a estratégia da TAP para o Porto e admitiu "apelar ao boicote da região" à transportadora, acusando-a de ter em curso uma estratégia para "destruir o aeroporto Francisco Sá Carneiro", e construir, em Lisboa, "um novo aeroporto e uma nova ponte".
Em causa está a ligação aérea entre Vigo e Lisboa mas também a suspensão de quatro rotas europeias que a TAP diz representarem um prejuízo de 8,02 milhões de euros, ao passo que a autarquia do Porto garante terem uma "ocupação média de 90%", representando "o transporte de perto de 190 mil passageiros, em 1.867 voos de ida e volta".
"Os membros do EA consideram que o Aeroporto Francisco Sá Carneiro é o aeroporto internacional de referência nesta eurorregião e deve ter um leque de oferta o mais alargado possível para cumprir com as necessidades. Isso não impede que haja outras opções complementares para os aeroportos da Galiza, seja por parte do operador nacional, seja por parte de outros. Isso é visto com bons olhos, obviamente que é uma mais-valia", afirmou hoje Ricardo Rio.