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Proposta para suspender trotinetes em Lisboa discutida quarta-feira

Carlos Moedas considera que o sistema "não está a funcionar", sublinhando a necessidade de que "todos possam circular em segurança".

Presidente da Câmara quer suspender uso de trotinetes na capital
Presidente da Câmara quer suspender uso de trotinetes na capital João Cortesão
11:05
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A proposta para deverá ser discutida em reunião de Câmara na próxima quarta-feira, adiantou à Lusa fonte do gabinete do presidente Carlos Moedas.

"Neste momento, e perante todos os dados de que dispomos, não nos resta outra opção senão a suspensão do serviço de trotinetes partilhadas em Lisboa", disse Carlos Moedas (PSD) numa nota enviada à Lusa, depois de o gabinete avançar que a proposta será discutida na próxima reunião de câmara.

De acordo com o autarca, "a par de tudo isto, que já é bastante grave", a cidade de Lisboa continua a ter "um enorme problema de segurança" com pessoas a circular neste tipo de veículo "em contramão, nos passeios, e muitas vezes duas pessoas na mesma trotinete e sem o mínimo de respeito por quem circula no espaço público".

Carlos Moedas lembra igualmente o "problema de estacionamento indevido" destes veículos no espaço público e a forma como condicionam a circulação de pessoas, "afetando particularmente os mais idosos, com mobilidade reduzida, cidadãos cegos, crianças e famílias com carrinhos de bebé por exemplo", disse.

"Nós recolhemos mais de 1.000 trotinetes por mês devido ao mau estacionamento. O acordo que temos com os operadores era suposto evitar que isto aconteça. Mas o que estamos a ver é que todos os anos registamos mais trotinetes indevidamente estacionadas, abandonadas nos mais diversos locais", precisou.

Segundo o autarca, entre 2024 e 2026 "o número de remoções aumentou 40%", considerando que este "era suposto diminuir", acrescentando também não ser possível haver "um polícia municipal atrás de cada trotinete".

"Precisamos deles para garantir a segurança da cidade. É muito difícil fiscalizar porque as trotinetes não têm matrícula e muito facilmente são abandonadas em qualquer lado com as pessoas - muitos dos utilizadores são turistas -, a escaparem ao controlo", sublinhou.

Num vídeo publicado na rede social X, na quinta-feira, Carlos Moedas anunciou que o sistema de trotinetes partilhadas ia ser suspenso na capital, referindo vários problemas com a circulação deste veículo. O autarca diz que o sistema "não está a funcionar", sublinhando a necessidade de que "todos possam circular em segurança".

"Isto é uma vergonha e vai acabar. O sistema como está não está a funcionar. São trotinetes em contramão, comportamentos perigosos, mais acidentes e trotinetes abandonadas no espaço público", destacou na publicação.

O presidente da Câmara de Lisboa já tinha dito em 28 de setembro que ia tomar medidas para combater comportamentos de risco por parte de utilizadores de trotinetes, sem avançar detalhes.

O Automóvel Clube de Portugal (ACP) anunciou que recolheu cerca de 20 mil assinaturas de cidadãos recenseados em Lisboa para a realização de um referendo municipal sobre a continuidade do sistema de trotinetes elétricas partilhadas na cidade.

Carlos Moedas lembrou que quando assumiu a liderança da autarquia conseguiu reduzir para metade o número de trotinetes partilhadas na cidade, negociando com os operadores.

O autarca vincou que "se os operadores de trotinetes não garantem que uma trotinete não pode andar em contramão", a autarquia terá "que tomar essas medidas".

Segundo a nota enviada à Lusa, a Câmara "privilegiou inicialmente uma lógica colaborativa com os operadores, traduzida no acordo de 2023 e na adenda de junho de 2025", no entanto, o problema "deixou de ser pontual", uma vez que os dados mostram "um volume persistente de remoções de trotinetas no espaço público, com agravamentos sucessivos e um máximo de remoções por mês"

Para a resolução do problema foram testadas soluções intermédias, como a "limitação de frota, zonas de interdição, georreferenciação, lugares para estacionamento próprio, limites de velocidade, fiscalização e remoção, mas estas não produziram resultados suficientes", conforme explica a nota.

Desta forma, a proposta que irá ser discutida "enquadra-se nas competências próprias do município e, em especial, nos poderes da Câmara Municipal de Lisboa para administrar, conservar e gerir o espaço público municipal".

Na segunda-feira, o Automóvel Club de Portugal (ACP) vai entregar, na Assembleia Municipal de Lisboa, as cerca de 20 mil assinaturas recolhidas e validadas no âmbito da iniciativa para a realização de um referendo municipal sobre a continuidade da exploração de sistemas de trotinetes elétricas partilhadas no espaço público da cidade.

A iniciativa, que necessitava apenas de cinco mil assinaturas válidas, vai ser agora apresentada formalmente à Assembleia Municipal de Lisboa (AML), dando início ao processo previsto para a realização de um referendo municipal, acrescentou o ACP, num comunicado.

A recolha de assinaturas arrancou no início de agosto junto dos sócios do ACP e foi posteriormente alargada às ruas da cidade, com pontos de recolha em diferentes locais de Lisboa.

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