Estado encaixa 353 milhões com jogo online em 2025
Com as receitas brutas a atingirem o menor crescimento anual de sempre, para 1,2 mil milhões de euros, a receita do Imposto Especial de Jogo Online (IEJO) bateu o recorde ao aumentar 5,5% face ao ano anterior.
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A receita fiscal gerada pela atividade de jogo online em Portugal atingiu o recorde de 353 milhões de euros em 2025, mais 5,4% em relação ao ano anterior, apesar de se ter registado o menor crescimento anual de sempre das receitas, em termos percentuais (8,5%), para 1,2 mil milhões de euros, de acordo com o relatório do quarto trimestre do ano passado publicado pelo Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ).
“Os dados relativos a 2025 confirmam uma tendência que se verifica de forma progressiva já há uns anos e que se acentuou de forma marcada neste último ano: uma desaceleração do crescimento do mercado, característica de um setor que entra numa fase de maior maturidade”, observa Ricardo Domingues, presidente da Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online (APAJO), em comunicado.
Domingues afirma que “a indústria encara esta evolução como natural, face à estabilização de um setor que só este ano faz 10 anos de ser lançado e que beneficiou do aumento da digitalização do consumo”.
Ainda assim, não deixar de sublinhar “a necessidade de dar um salto decisivo no combate ao jogo ilegal, onde 40% dos portugueses continuam a apostar, conforme o repto lançado pela APAJO no fim de 2025, e atualizar a oferta do mercado licenciado de forma que possa acompanhar a procura”, preconiza.
Segundo a análise realizada pela APAJO ao relatório do SRIJ, o crescimento do IEJO foi alimentado sobretudo pelas receitas brutas dos chamados jogos de fortuna ou azar, que aumentaram anualmente 11,85%, tratando-se também do menor registo de sempre.
Já relativamente às apostas desportivas à cota, o decréscimo do volume de apostas em 0,9% face a 2024 representou um recuo em igual medida no imposto recolhido.
Em termos absolutos, do total de receitas de 1,2 mil milhões de euros, as geradas pelas apostas desportivas à cota fixaram-se nos 447 milhões de euros – crescimento 3,23%, “novamente por larga margem o menor de sempre, sobretudo por terem beneficiado de um ligeiro aumento da margem (22% face aos 21,1% de 2024) e as de jogos de fortuna ou azar nos 759 milhões de euros.
De registar ainda que além da desaceleração do jogo online, as receitas brutas dos casinos territoriais recuaram 1,15% face a 2024 e as das salas de bingo diminuíram 1,56%.
No que toca aos indicadores relativos às contas de jogador, o quarto trimestre de 2025 teve um número de contas ativas inferior ao trimestre homólogo (2,5%), “algo que já tinha acontecido com os dois trimestres anteriores”, lembra a APAJO.
Como resultado, a média anual de contas ativas por trimestre recuou 0,64% face a 2024. O número anual de registo de novas contas foi igualmente inferior em comparação com o ano anterior, mas ainda em proporção maior (menos 21,8%).
“Foram registadas 910 mil contas, 253 mil abaixo de 2024, e até abaixo de 2023”, realça a associação do setor.
Para o presidente da APAJO, “a evolução do setor continua a refletir o compromisso dos operadores licenciados com o cumprimento rigoroso das obrigações legais e fiscais, contribuindo de forma relevante para a economia nacional e para o financiamento de diversas áreas de interesse público, no combate permanente ao jogo ilegal”, defendendo que “o mercado regulado português tem demonstrado capacidade para oferecer um ambiente seguro, transparente e devidamente supervisionado”.
No que respeita aos mecanismos de proteção do jogador, o número de novas autoexclusões diminuiu 1,06% face ao ano anterior. Trata-se da “primeira vez em que este indicador recua”, enfatiza a APAJO.
O total de contas autoexcluídas do quatro trimestre de 2025 foi de 361 mil, “tendo observado o menor crescimento homólogo de sempre (23,6%), tomando a posição do trimestre anterior”.
(Notícia atualizada às 14:00)
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