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Hotel Les Bains: A terceira vida da luxuosa fénix parisiense

1885. 1978. 2015. Três datas, diferentes etapas. No centro de Paris, o Les Bains virou um luxuoso hotel. Bem, não é só isso. “É uma instituição cultural, um destino, um local híbrido”.

Wilson Ledo wilsonledo@negocios.pt 31 de Outubro de 2015 às 19:00
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Marcel Proust era presença habitual no número sete da Rue du Bourg l’Abbé. Em busca da salvação do corpo no então balneário privado. As portas do Les Bains abriram em 1885 e mudaram aquele recanto de Paris.

Que o digam as últimas décadas do século XX. O local transformou-se num autêntico templo nocturno em 1978. O desfile de vaidades foi constante, a lista extensa. Ali actuaram Prince, Depeche Mode ou Joy Division.


As festas sempre foram feitas com a nata das celebridades. Só para dar um cheirinho: Andy Warhol, Yves Saint-Laurent, Karl Lagerfeld, Johnny Depp ou Kate Moss. Os anos foram passando, a fama do Les Bains parecia não ceder. Até que em 2010 as portas fecharam.


O edifício pertencia à família de Jean-Pierre Marois, homem ligado ao mercado da imagem. Foi produtor de cinema para realizadores como Abel Ferrara, Alejandro González Iñárritu ou Oliver Stone. "Eu tinha de salvá-lo e torná-lo rentável", contou ao Negócios numa passagem por Portugal.


Foram cinco anos de transformação para que esta fénix renascesse das cinzas. E eis que chegou a Primavera de 2015.
O Les Bains é agora um hotel de luxo. São 39 quartos e suites. Uma única noite custa, no mínimo, 400 euros.

E é só isso? "É uma instituição cultural, um destino, um local híbrido. Podes ir lá tomar um copo, ouvir música, dormir. Não o vejo como um hotel. É essa a minha estratégia", explica Marois. Tem dado frutos: o espaço já é um dos mais badalados da cidade francesa.


O lado boémio faz-se sentir na decoração e nos serviços. O pequeno-almoço é servido até meio da tarde, o jantar até à meia-noite. "Há muitos hoteleiros que compreendem que a arte e a música tornam a vida melhor. Se ficares num sítio que estás cercado disso, é ainda melhor", diz.


É assim que o fundador vê os hotéis do futuro. "Gostaria de ver mais hotéis como o meu em Portugal, mas há cá bons exemplos. Não estou muito preocupado", confessa. Residência artística, experiência, centro cultural. É tudo uma questão de desenvolver as narrativas certas.


"Contar histórias é fundamental. As pessoas estão muito ‘blasés’, aborrecidas. Tens de surpreendê-las. Ainda é mais difícil em Paris". O Les Bains recupera, por exemplo, a figura da porteira Marie-Line. Ela escolhia quem entrava no selectivo clube nocturno. Agora, a sexagenária esquece a reforma durante alguns dias por semana e põe em prática os bons velhos tempos.


As atenções de Jean-Pierre Marois estão todas neste projecto: "estou mesmo focado em garantir que tudo corre bem no Les Bains, ter a certeza que o espectáculo é imponente todos os dias". A música faz-se sentir de quarta a sábado, até ao nascer do dia. A arte visual está à mostra a qualquer hora. A fénix voa bem alto, 130 anos depois.

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