Web Summit Michel Barnier: "Ainda ninguém conseguiu explicar-me o valor acrescentado do Brexit"

Michel Barnier: "Ainda ninguém conseguiu explicar-me o valor acrescentado do Brexit"

"O Brexit é uma escola de paciência. É uma escola de tenacidade", diz o negociador-chefe da União Europeia para o Brexit, no palco principal do Web Summit.
Michel Barnier: "Ainda ninguém conseguiu explicar-me o valor acrescentado do Brexit"
Lusa
Rafaela Burd Relvas 05 de novembro de 2019 às 12:18
O negociador-chefe da União Europeia (UE) para o Brexit não vê qualquer vantagem na saída do Reino Unido da região. Mas quer garantir que o processo será vantajoso para os 27 Estados-membros que se mantêm na UE. Paz e estabilidade, a proteção do mercado único e a construção de uma relação futura com o Reino Unido são os objetivos desta negociação.

Michel Barnier foi um dos destaques desta manhã no Web Summit, que arrancou, esta segunda-feira, 4 de novembro, com o primeiro dia de trabalhos. No palco principal da maior cimeira tecnológica europeia, o responsável foi claro sobre a sua visão em relação ao Brexit: "Até agora, ninguém, alguma vez, conseguiu explicar-me o valor acrescentado do Brexit", afirmou, para receber os aplausos de um Altice Arena lotado.

Ainda assim, congratula-se pelo acordo já alcançado entre o Reino Unido e a União Europeia, aprovado pelo parlamento britânico mas ainda não ratificado. Com eleições pelo meio, o Reino Unido pediu mais tempo para ratificar o acordo, o que foi concedido pela União Europeia. "O Brexit é uma escola de paciência. É uma escola de tenacidade", disse Barnier.

É neste contexto que reconhece que "tudo o que já foi conseguido é um passo necessário, mas não é o destino", até porque ainda há muito por negociar. Os dois pilares da relação futura entre o Reino Unido e a União Europeia, detalhou, vão assentar na parceria comercial e na parceria estratégica.

"A primeira será difícil, desde logo porque o tempo é muito curto", assumiu, frisando que não haverá mão leve por parte da União Europeia. "Haverá maior concorrência económica. Mas a União Europeia não tolerará vantagens concorrenciais injustas. Queremos condições de igualdade concorrencial, fiscal e ambiental. Vamos insistir em 'dumping' zero", sublinhou.

Quanto à parceria estratégica, ainda que "sem precedentes na dimensão e na profundidade", Barnier acredita que "a Europa poderá estar outra vez no centro da próxima revolução tecnológica" e que "o Reino Unido poderá cooperar com a Europa".

E concluiu: "Na Comissão Europeia, estamos prontos para começar essa negociação assim que o Reino Unido ratifique o acordo alcançado".



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