Militares tomaram o poder na Guiné-Bissau
Os militares tomaram esta quarta-feira o poder na Guiné-Bissau, depois de um tiroteio que durou cerca de meia hora, segundo um comunicado das Forças Armadas guineenses.
O comunicado foi lido na televisão estatal guineense TGB pelo porta-voz do Alto Comando Militar, Dinis N´Tchama, que informa que os militares assumiram a liderança do país.
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Na comunicação informa-se que foi "instaurado pelas altas chefias militares dos diferentes ramos das Forças Armadas, o Alto Comando Militar para a restauração da segurança nacional e ordem pública" e que o mesmo "acaba de assumir plenitude dos poderes de Estado da República da Guiné-Bissau".
Esta ação surge na sequência das eleições presidenciais do passado domingo que opuseram Umaro Sissoco Embaló, atual chefe de Estado, e Fernando Dias da Costa, apoiado pelos partidos PAIGC e PRS. Antes de se conhecerem oficialmente os resultados, ambos os candidatos reclamaram vitória.
O Governo português, face aos últimos acontecimentos, apelou a que os envolvidos nestes acontecimentos "se abstenham de qualquer ato de violência institucional ou cívica".
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Portugal, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, apela ainda a que "se retome a regularidade do funcionamento das instituições, de modo que se possa finalizar o processo de apuramento e proclamação dos resultados eleitorais".
O Alto Comando Militar informa que depôs o Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e que encerrou, "até novas ordens, todas as instituições da República da Guiné-Bissau".
Informa ainda que estão suspensas "as atividades de todos os órgãos de comunicação social", assim como decidiu "suspender imediatamente o processo eleitoral em curso".
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Os militares encerraram também todas as fronteiras do país, terrestres, marítimas e espaço aéreo nacional, e estabeleceram "recolher obrigatório das 19:00 até 06:00, até repostas as condições necessárias para restaurar a normalidade constitucional do Estado guineense".
No comunicado, explica que se trata de uma reação "à descoberta de um plano em curso de destabilização do país", atribuído a "alguns políticos nacionais com a participação de conhecidos barões de droga nacionais e estrangeiros".
Segundo os militares, o plano consistiria na "tentativa de manipulação dos resultados eleitorais" das eleições gerais de domingo, cuja divulgação estava agendada para quinta-feira.
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O Alto Comando Militar acrescenta que "foi descoberto pelo Serviço de Informação de Estado um depósito de armamento de guerra" destinado à "efetivação desse plano".
O Alto Comando Militar exercerá o poder do Estado a contar da data de hoje "até que toda a situação seja convenientemente esclarecida e respostas as condições para o pleno retorno à normalidade constitucional", acrescenta.
Os militares apelam "à calma, à colaboração dos guineenses e compreensão de todos perante" o que classificam como "grave situação imposta por uma emergência nacional".
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Este golpe militar em curso na Guiné-Bissau surge depois de terem sido ouvidos tiros de armas ligeiras e de guerra no centro da cidade de Bissau, capital da Guiné-Bissau, desde as 12:40, segundo relatos feitos à Lusa via telefone por testemunhas no terreno.
As missões de observação eleitoral da União Africana e da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) tinham afirmado que o processo eleitoral decorreu de forma "ordeira e organizada", pedindo respeito pela vontade dos eleitores e pelos princípios democráticos, num balanço preliminar das eleições na Guiné-Bissau feito no início da semana.
Na terça-feira, e já depois de o candidato Fernando Dias da Costa se ter declarado vencedor das eleições sem necessidade de uma segunda volta, o porta-voz de Sissoco Embaló disse igualmente que "tudo indica que não haverá segunda volta", mas não adiantou os resultados alcançados pelo então Presidente da República na votação de domingo.
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Em declarações feitas antes do golpe de Estado em curso, Óscar Barbosa exortou os guineenses "a manterem serenidade e que aguardem pela divulgação dos resultados das eleições pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), a ser feita na quinta-feira".
A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância.
(Notícia atualizada às 17:15 horas com mais informação)
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