Juntar créditos: Somar para subtrair
Em 2014, o Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado da DECO abriu quase 2770 novos processos de consumidores que não conseguiam fazer face às suas dívidas, sobretudo por desemprego e deterioração das condições laborais. Em média, tinham quatro créditos em curso.
Quando a família precisa de aliviar o orçamento mensal, pode ajudar juntar todos os créditos num só, através da agregação de várias prestações numa única, de valor inferior à soma das iniciais. No entanto, esta solução não está isenta de inconvenientes. Perceba, neste artigo, se a consolidação de créditos pode ser uma opção para si.
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Soluções à medida
Para encontrar as condições mais vantajosas, dirija-se a vários bancos, incluindo o seu, e compare. Leve consigo a informação sobre todos os empréstimos que detém (montante, taxa de juro, valor da mensalidade e prazo), que está nos respetivos extratos.
Aquilo que procura é uma situação em que todas as suas prestações mensais fiquem agregadas numa só, com a mesma taxa de juro e o mesmo prazo. Claro que tal só vale a pena se a nova mensalidade tiver um valor inferior ao somatório de todas as outras.
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Consolidar créditos pode reduzir a prestação mensal em várias centenas de euros por mês.
Como em qualquer crédito, o banco irá fazer uma avaliação do risco da operação. Caso a instituição chegue à conclusão de que a sua taxa de esforço é muito elevada, ou seja, que dificilmente conseguirá pagar a mensalidade, pode negar-lhe o empréstimo. É possível também que lhe exija mais garantias, como a apresentação de fiadores.
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Muitos custos associados
A vantagem de recorrer à consolidação de créditos é óbvia: aliviar as contas da família, permitindo que sobrem mais uns euros, todos os meses, para pagar outras despesas. Contudo, há desvantagens, que importa ponderar.
Desde logo, a contratação de um novo empréstimo tem custos, como os de processo e o imposto de selo. Quando se trata de um crédito hipotecário, em que o consumidor dá um imóvel como garantia de pagamento, é preciso constituir uma nova hipoteca, ou reforçar a existente, com emolumentos associados. Há também que considerar o pagamento da avaliação do imóvel apresentado como garantia.
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Por outro lado, ao fazer um novo crédito, terá ainda de amortizar os que estão em vigor, o que, em certos contratos, acarreta penalizações. No crédito hipotecário, o montante da penalização não pode exceder 0,5% do valor amortizado, caso a taxa seja variável, e 2%, se for fixa. No crédito ao consumo, não lhe pode ser cobrada nenhuma comissão se tiver taxa variável. Já nos empréstimos de taxa fixa, a penalização não pode exceder 0,5% (0,25%, se estiver no último ano do contrato).
É importante saber que a consolidação implica que os prazos de todos os créditos sejam uniformizados, regra geral, tendo como referência o mais longo. Tal significa que os empréstimos com um prazo mais reduzido vão durar mais tempo. Mesmo tendo em conta que a nova taxa de juro será mais baixa do que a de alguns dos créditos anteriores, pode vira pagar mais juros até ao final do contrato.
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D&D Aconselha
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- Juntar todos os créditos num só pode ser um alívio para as famílias que têm dificuldade em pagar as prestações mensais. No entanto, muitas vezes, representa um acréscimo dos encargos globais no final do empréstimo, em certos casos, de alguns milhares de euros.
- Se tem um crédito à habitação, a melhor opção é negociar com o banco a agregação de todas as prestações na da casa. Mas tenha atenção à eventual subida do spread e lembre-se de que estará a pagar empréstimos de curta duração em muitos anos, com o consequente aumento de juros.
- Para quem não tem crédito à habitação, mas é dono de um imóvel, a situação mais vantajosa é pedir um empréstimo dando este bem como garantia. O crédito pessoal é a solução de recurso para quem não possui imóveis.
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- Se está numa situação de aperto financeiro, contacte o Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado (http://gasdeco.net).
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O nosso estudo
Em janeiro, enviámos um questionário a 22 bancos portugueses. A nossa intenção era conhecer as instituições que disponibilizam produtos para consolidar créditos e o tipo de soluções existentes. Das nove instituições que nos responderam, apenas o Montepio e a Cofidis dizem permitir a consolidação de créditos.
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Consolidar no crédito à habitação
Para quem já paga casa ao banco
Caso tenha um crédito à habitação, verifique se o valor da garantia (avaliação do imóvel feita pelo banco) cobre o montante de todos os empréstimos. Imaginemos que o crédito da casa é de 125 mil euros e que o imóvel foi avaliado em 200 mil euros. Como, em regra, os bancos financiam até 80% do valor da casa, ainda há margem para aumentar o montante do crédito em 35 mil euros (200 mil × 80% - 125 mil). Ou seja, pode juntar empréstimos até perfazer um valor global de 160 mil euros.
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Por esta operação envolver uma alteração ao contrato inicial, o banco pode aproveitar para impor outras condições e aumentar a taxa de juro do crédito à habitação, que passa também a ser aplicada aos restantes empréstimos. Neste caso, há que fazer bem as contas, sobretudo se beneficia de uma taxa baixa. O aumento de juros pagos até ao final do contrato pode ser significativo. Contudo, se não aceitar as novas condições propostas, a instituição pode recusar a consolidação. Vejamos o caso de Francisco que, devido a três créditos e um cartão de crédito, tem uma dívida global de 142 400 euros. No total, o valor das prestações situa-se perto dos 1200 euros mensais (ver gráfico, em cima).
Ao consolidar junto do banco no qual tem o crédito à habitação, a mensalidade de Francisco passa para 789 euros. Isto se o o banco mantiver o prazo e a taxa de juro anual nominal (TAN de 3,7%) do crédito à habitação. Tal representa uma redução de 404 euros nos encargos mensais, o que pode constituir um verdadeiro balão de oxigénio para a sua família. Mas, no final do contrato, terá pago 4820 euros de juros a mais. Há que contar também com os cerca de 1200 euros de custos iniciais (comissões de amortização antecipada e encargos fiscais e notariais) da operação, aos quais podem acrescer comissões relacionadas com o processo de crédito (480 euros, em média) e a avaliação do imóvel (220 euros, em média). No limite, ao consolidar, Francisco pode ter de desembolsar mais cerca de 6700 euros do que em relação à situação atual.
Caso o banco agrave a taxa de juro em 1%, Francisco passa a suportar 866 euros por mês, ainda assim, menos 327 euros do que se não consolidar. Por outro lado, os juros pagos no final são bastante superiores. Considerando os restantes custos bancários, fiscais e notariais, o acréscimo de encargos será superior a 27 mil euros.
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Já se o empréstimo da casa de Francisco tiver uma TAN mais baixa, de 1%, e o banco mantiver o prazo e a taxa de juro desse crédito, a mensalidade desce para 601 euros. No final, a consolidação pode ainda valer uma poupança de 600 euros em juros. Mas se o banco lhe propuser uma taxa de juro muito superior (por exemplo, de 4,7%), a consolidação torna-se bastante penalizadora, com um acréscimo de custos até 70 mil euros.
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Sem crédito à habitação
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Crédito hipotecário ou pessoal na mira
Se é proprietário de um imóvel, é possível usá-lo como garantia de um crédito hipotecário. A taxa de juro pode ser ligeiramente superior à do crédito à habitação, mas é inferior à do crédito pessoal.
Consideremos o caso de Renato, com dívidas de 30 400 euros e prestações a totalizar 1092 euros por mês. Como é dono de uma casa avaliada em 200 mil euros, as dívidas representam apenas 15,2% do valor do imóvel. Tendo em mente a nossa Escolha Acertada, o Banco Popular, o spread seria de 2,25%, acrescendo uma Euribor de 0,2 por cento. Para um prazo de cinco anos (o mínimo que aquela instituição permite), a prestação desce para 542 euros, ou seja, para cerca de metade das atuais. No final do emprésimo consolidado, Renato paga menos 6445 euros de juros, já incluindo o imposto de selo sobre os mesmos. Existem custos iniciais (comissões de amortização antecipada e com o processo de crédito, avaliação do imóvel e encargos fiscais e notariais) e custos mensais de processamento da prestação que rondam os 1600 euros no total. Mesmo descontando estas despesas, a operação é bastante vantajosa.
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À medida que o montante a consolidar diminui, reduz-se também o ganho obtido com o crédito hipotecário, até ao ponto em que os custos associados são demasiado pesados. Aí, passa a ser preferível o crédito pessoal. Esta é também a solução para quem não pode, ou não quer, dar um imóvel como garantia. As taxas de juro são superiores, mas os custos iniciais menores.
Consolidando no ActivoBank, a nossa Escolha Acertada para créditos pessoais, a mensalidade baixa para 777 euros. Se o prazo do contrato for o mesmo do empréstimo mais longo (assumimos que seria o do crédito automóvel, de quatro anos), no final do crédito consolidado, Renato terá poupado cerca de 1200 euros. Se o prazo for dilatado, a mensalidade será menor, mas o empréstimo fica mais caro. No ActivoBank, a prestação de Renato desce para 569 euros se o prazo aumentar para seis anos, mas terá um encargo suplementar superior a 2500 euros.
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