Países não devem acumular reservas de combustível, avisa a Agência Internacional de Energia

Fatih Birol, diretor executivo daquele organismo, deixa recado à China sobre proibições de exportações quando existe um choque de oferta.
Fatih Birol alerta que acumulaçao de reservas afeta impacto da medida adotada pela AIE
Miguel Baltazar/Negócios
Negócios 05 de Abril de 2026 às 11:13

Os países devem resistir à tentação de acumular reservas de petróleo e combustível na atual crise energética. Quem o diz é o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE, na sigla em inglês), numa altura em que se prevê que os abastecimentos se reduzam ainda mais caso o Estreito de Ormuz se mantiver fechado.

Fatih Birol afirmou ao Financial Times que "este é o pior momento possível quando se olha para os mercados globais de petróleo". "Apelo a todos os países a não imporem proibições ou restrições às exportações", frisou Birol numa mensagem que é vista como um recado para a China.

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O responsável da AIE lembrou mesmo que "os parceiros comerciais, aliados e vizinhos irão sofrer as consequências" de tal posicionamento. A China é o único grande país a ter proibido a exportação de gasolina, gasóleo e combustível para aviões em resposta à guerra no Irão, que já dura há cinco semanas, embora a Índia também tenha imposto direitos aduaneiros adicionais sobre as exportações.

Birol insistiu, em declarações ao jornal britânico, que "os principais países da Ásia que possuem grandes refinarias" deveriam repensar qualquer proibição. "Se esses países continuarem a restringir ou a proibir totalmente as exportações, o impacto nos mercados asiáticos será dramático", enfatizou.

Segundo o Financial Times, além da China e Índia, o apelo para que os países evitem proibições pode também ser direcionado aos Estados Unidos, onde circulam rumores de uma potencial proibição das exportações de combustíveis refinados, à medida que os preços da gasolina ultrapassam os 4 dólares por galão e a Califórnia enfrenta a ameaça de escassez de combustível para aviões. Embora os EUA tenham apoiado um apelo do G7 para que não haja proibições de exportação, o seu secretário de Energia, Chris Wright, até agora apenas descartou uma proibição das exportações de petróleo bruto.

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Segundo Fatih Birol, alguns países já estão a acumular reservas de energia, afetando o impacto da medida da AIE de libertar 400 milhões de barris de crude e combustível das reservas de emergência, num esforço para estabilizar os mercados durante o atual conflito.

"Infelizmente, verificamos que alguns países estão a aumentar as suas reservas existentes durante a nossa libertação coordenada de reservas de petróleo", afirmou. "Estão a acumular reservas. Isto não ajuda. Na minha opinião, este é o momento de todos os países provarem que são membros responsáveis da comunidade internacional", vincou.

Dois países que viram os seus stocks aumentarem nas últimas semanas são os EUA e a China, adianta o FT. Apesar de serem o maior contribuinte para o plano da AIE, os stocks dos Estados Unidos aumentaram 5% em termos homólogos, de acordo com o último relatório semanal da Administração de Informação Energética dos EUA.

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As reservas terrestres de crude da China deverão aumentar em cerca de 120 milhões de barris em abril, atingindo 1,3 mil milhões de barris, de acordo com uma previsão da empresa de dados energéticos OilX, adianta o mesmo jornal.

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