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Banco CTT: Afinal, para que servem os balcões?

Abriu as portas de 52 balcões, mas, para quem pretenda poupar, oferece apenas depósitos até um ano a 0,4%. Visitámos cinco balcões, em Lisboa, mas acabámos sempre no tradicional balcão dos Correios.

Deco Proteste 03 de Maio de 2016 às 11:11
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FICHA TÉCNICA
O que fomos testar? Quisemos conhecer os produtos financeiros disponibilizados por esta instituição bancária e a recomendação para aplicar 5 mil euros.
Onde? O nosso cliente-mistério visitou cinco balcões do Banco CTT, na cidade de Lisboa.
Quando? No final de março de 2016.


Todos conhecem os CTT, seja pelo saudosismo do tempo de receber uma carta no correio, seja porque já aplicaram algum dinheiro nos seus produtos. São 3,7 milhões de clientes na área do investimento, um número que levou a empresa a criar o Banco CTT com o intuito de fazer "cross selling". Pretendem investir 100 milhões de euros em cinco anos, tendo como alvo um segmento de rendimentos mais baixos. Em três anos ambicionam abrir 600 balcões, mas lançaram-se no mercado em março com 52 balcões instalados nas estruturas dos Correios. Alguns leitores questionaram-nos sobre o interesse deste banco, pelo que quisemos conhecer a oferta de produtos de poupança. São necessários apenas 100 euros para abrir conta e não são cobrados custos de manutenção nem por transferências nacionais nos canais digitais; também não existe qualquer anuidade no cartão de débito. Mas o que tem este banco de diferente na sua oferta comercial que ajude a multiplicar o dinheiro dos pequenos aforradores? Foi o que quisemos saber.

Cinco balcões de Lisboa, cinco questões

Nem todos os balcões dos CTT têm, por enquanto, instalações do Banco CTT. Poderá consultar na página de internet do banco as respetivas localizações (www.bancoctt.pt). O nosso cliente-mistério visitou cinco dos sete balcões existentes em Lisboa: Avenida 5 de Outubro, Avenida Casal Ribeiro, Centro Comercial das Amoreiras, Rua Amélia Rey Colaço e Parque das Nações na Avenida D. João II. E fez algumas perguntas bastante simples: que produtos financeiros têm? Os Certificados de Aforro e do Tesouro também se subscrevem no Banco CTT? E os seguros de capitalização? Quanto rendem os depósitos neste banco? Por fim, o cliente concluía a conversa com uma questão: "Gostaria de aplicar 5 mil euros num produto seguro. Neste momento esse montante está noutro banco, mas a render muito pouco. Qual dos vossos produtos me recomendam para este capital?"

Nos cinco estabelecimentos dos Correios visitados o atendimento foi sempre encaminhado para o balcão dos CTT, como um normal atendimento do serviço dos Correios. Além disso, quando o cliente perguntou pelos produtos financeiros que disponibilizavam, foram sempre referidos os Certificados de Aforro, Certificados do Tesouro Poupança Mais, alguns seguros de capitalização e PPR. Nenhum deles referiu os depósitos bancários, tal como constam no preçário da referida instituição. O que nos leva a questionar para que serve então o Banco CTT? Aparentemente não trouxe nada de novo para o aforrador a nível da oferta de produtos bancários de poupança. Falta aguardar para ver sobre as promessas de uma grande oferta de produtos de poupança, das condições especiais para pensionistas, da oferta de cartões de débito pré-pagos, do crédito pessoal e por fim, do crédito habitação. À pergunta: "Os Certificados de Aforro e do Tesouro também se subscrevem aqui?" Todos os funcionários responderam "sim", mas essa pergunta era dirigida ao Banco CTT. Infelizmente parecem não conseguir distinguir o Banco CTT dos Correios. Quando o cliente questionou "e seguros de capitalização? Existe algum de momento?", as respostas foram diferentes consoante o balcão: por exemplo, na Avenida D. João II referiram "de momento apenas temos PPR", mas na Avenida 5 de Outubro foram apresentados dois seguros (o Postal Rendimento Mais Série 4 e o Postal Mealheiro 2016). O que nos leva a perguntar se os balcões têm diferentes períodos de subscrição dos produtos ou se os funcionários saberão o que são seguros de capitalização e se conhecem todos os produtos que comercializam.

E a literatura técnica?

Quando o cliente perguntava "tem algum folheto que possa levar sobre os vossos produtos para ler em casa?", a resposta foi quase sempre "apenas dos Certificados do Tesouro Poupança Mais". E mesmo em relação a este produto, em alguns balcões, foi disponibilizado apenas uma brochura publicitária. Foi o que aconteceu no balcão da Avenida D. João II e da Avenida Casal Ribeiro. No balcão da Avenida 5 de Outubro, do Centro Comercial das Amoreiras e da Rua Amélia Rey Colaço foram facultadas fichas técnicas com informação mais detalhada sobre este produto. Em relação aos Certificados de Aforro, por vezes foi entregue uma ficha de simulação de rendimento a dez anos. Já em relação aos depósitos a prazo não houve sinal da Ficha de Informação Normalizada (FIN).

Onde devo aplicar 5 mil euros?

Esta última questão já envolvia aconselhamento mais personalizado. A resposta foi unânime: "Aplique em Certificados do Tesouro Poupança Mais." E foi um bom conselho. Atualmente é o produto de capital garantido mais rentável e indicado para aplicar a médio prazo, até cinco anos. Os juros são pagos anualmente a taxas que variam entre 1,25 e 3,25 brutas. Nos últimos dois anos pode ainda acrescer um bónus, consoante o crescimento do PIB.

A FIN é para dar ao cliente  Com o surgimento do Banco CTT, instalado no interior dos Correios, poderíamos pensar que os produtos financeiros passariam a ser vendidos diretamente no balcão deste novo banco. Mas pouco ou nada mudou. A oferta do banco está limitada à conta à ordem, cartões de débito e depósitos a prazo entre um a 12 meses. Também nos pareceu estranho os funcionários não entregarem a Ficha de Informação Normalizada (FIN) dos depósitos a prazo. Pudemos comprovar que esta se encontra no sítio online do banco. Não é aceitável que não seja facultada ao cliente, especialmente quando este pede informação mais detalhada sobre os produtos financeiros para poder analisar as várias opções, mais tarde. Além disso, faz cada vez menos sentido, que os Correios sejam o único intermediário a vender os produtos de dívida do Estado. Estes produtos poderiam ser comercializados também noutras instituições bancárias.


Este artigo foi redigido ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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