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Custos de corretagem: Ganhe em bolsa partindo com dois mil euros de vantagem

Escolher bem o intermediário financeiro pode aumentar os seus lucros bolsistas a longo prazo. As corretoras online ajudam a reduzir custos.

13 de Abril de 2015 às 12:28

Ficha técnica

Recolhemos 49 preçários diferentes de 24 intermediários diferentes, registados na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários e com autorização para a receção e transmissão de ordens (de bolsa) por conta doutrem, que publicitam estes serviços junto do público em geral. Preçários em vigor em fevereiro de 2015.

São muitos os investidores que negoceiam ações ao balcão do seu banco. O nosso estudo sobre os intermediários financeiros mais baratos consoante o perfil de investidor revela que esta opção pode estar a levar muitos euros a fugir da sua carteira. Imagine que tem características que encaixam no perfil de investidor agressivo: possui uma carteira de 70 mil euros e faz 60 operações de bolsa por ano, em que 20 operações são mercado português e oito nos restantes mercados. Ao optar pelo intermediário mais barato da nossa seleção, que custa 581 euros ao ano, estará a poupar mais de 2000 euros por ano face ao intermediário mais caro.

Também para os pequenos investidores há soluções em conta. Para quem está a dar os primeiros passos em bolsa e possui uma pequena carteira de 12 000 euros. Desde o início de 2010 que a nossa carteira tem uma rentabilidade anual de 8,8%. Mas aqui os custos com o parceiro fazem toda a diferença. Assim, aqueles investidores que escolheram mal o seu intermediário financeiro podem ter perdido uma fatia considerável dos ganhos.

Protocolo com a Gobulling é o mais vantajoso

Analisámos 49 preçários de 24 intermediários nacionais para lhe apresentar os cinco mais baratos em cada perfil de investidor. A plataforma Gobulling do Banco Carregosa, com o protocolo DECO, negociado pela PROTESTE INVESTE, continua a ser a melhor opção entre os intermediários nacionais nos cenários traçados. O pequeno investidor que investe exclusivamente na Bolsa de Lisboa deverá preferir a Gobulling Web, com o protocolo DECO. Neste preçário a comissão é de 2,50 euros por negócio; se as operações que fizer forem com frequência suscetíveis de fracionamento, os custos irão aumentar. A combinação entre comissões mínimas baixas nas bolsas Euronext (Lisboa, Paris, Bruxelas, Amesterdão), comissões baixas nos restante mercados (0,06% na maioria dos casos) e a ausência de custos de custódia tornam a GoBulling uma boa opção para investidores com vários perfis. A Orey iTrade, que utiliza uma plataforma semelhante, é uma alternativa que surge também entre os cinco mais baratos em todos os cenários, e o banco Invest apenas está ausente do caso do pequeno investidor nacional. Existem intermediários que se evidenciam em cenários específicos. No caso do pequeno investidor, o top 5 é constituído apenas por intermediários que isentam os seus clientes de custos de custódia: além da Gobulling e da Orey iTrade, a Golden Broker (plataforma Golden Trader) e o banco Invest. O banco BEST (conta Trading), o Montepio Trader e a Caixa BI surgem também perto do topo em alguns dos cenários que envolvem maior negociação.

Custos de negociar e de deter

Para quem está a constituir a sua carteira de ações existem dois tipos de custos. Os mais imediatos são os custos de negociação, ou seja, quanto lhe vai custar cada ordem de compra ou venda. Está aqui prevista a comissão de corretagem ou bancária, que pode incluir, ou não, taxas de bolsa (2,00 euros na Euronext Lisboa). Nas ordens dadas ao balcão, conte com portes e outras despesas (geralmente, até 1,50 euros). Sobre o valor das comissões incide, por norma, o imposto de selo (4%). Alguns intermediários cobram despesas adicionais caso a compra ou venda não seja concluída num só negócio. Por exemplo, se pretende comprar 1000 títulos de uma dada empresa, mas as ordens de venda a preços mais baixo são em quantidades inferiores, terá de comprar dois ou mais lotes de ações separados para perfazer os 1000 títulos. É uma situação difícil de antecipar. No caso das ações da carteira PROTESTE INVESTE, que apresentam boa liquidez nos seus principais mercados, a nossa análise assume que as compras serão realizadas num só negócio. Mas tenha atenção a este ponto se negociar grandes quantidades de ações face ao que é o volume habitual de negociação dessa empresa ou no caso de títulos com pouca negociação (pouco líquidos). Depois, existem os custos associados à detenção dos títulos, que são cobrados periodicamente. O principal é a comissão de custódia, ou seja, o custo cobrado pelo banco por manter depositados os seus valores mobiliários. O investidor suporta este custo, que tipicamente é de valor fixo e cobrado trimestralmente, mesmo que não realize quaisquer movimentos. Alguns intermediários cobram um custo superior se a sua carteira incluir títulos estrangeiros. Sobre o valor da comissão de custódia, incide, em regra, o IVA (23% à data de hoje). Podemos incluir aqui os custos cobrados sobre o pagamento de dividendos. A sua importância depende do número de empresas pagadoras de dividendos que o investidor tem em carteira e do seu rendimento do dividendo (dividend yield), mas é sobretudo penalizador para quem investe em pequenos lotes de acções. O pequeno investidor pode perder em comissões mais de 10% dos dividendos a receber se considerarmos os intermediários onde este custo é mais elevado. A relevância destes custos é diferente para diferentes tipos de investidores. Um investidor com uma estratégia passiva, com poucas compras e vendas (buy and hold) e com uma pequena carteira é quem sairá mais prejudicado por custos de detenção elevados. Inversamente, um investidor que realize muitas transações ou tenha uma carteira nas dezenas ou centenas de milhares de euros tem como principal objetivo minimizar os custos de negociação.

Reduza encargos com a Internet

A maior parte da negociação de ativos na bolsa nacional ainda é feita por canais tradicionais. De acordo com o último relatório trimestral de intermediação financeira divulgado pela CMVM (1º trimestre 2014), apesar de estar em franco crescimento, o canal Internet só foi responsável por 7,5% do total das ordens no mercado português. Contudo, as vantagens para o investidor são inegáveis. Além do acesso a mais informação sobre os mercados, os custos são incomparavelmente inferiores. Se quer investir a longo prazo e de forma sustentada em ações, recomendamos vivamente o pequeno esforço que a habituação à utilização das plataformas online exige. Vários intermediários oferecem contas de demonstração, que pode utilizar para se familiarizar. Mesmo que seja um cliente dos bancos tradicionais e não queira mudar de banco, se utilizar o canal Internet do seu banco pode ter ainda assim grandes poupanças. No caso mais extremo que encontrámos, um investidor agressivo que utilize a Internet para dar ordens em vez do balcão, no Millennium BCP, pode poupar 1086 euros por ano. Claro que, utilizando o intermediário mais barato, ficava ainda com mais 471 euros na carteira.

Transparência dos preçários melhorou

Temos registado, nos últimos anos, melhorias ao nível dos preçários. Atualmente, os intermediários disponibilizam um preçário especificamente para os títulos mobiliários, aplicável aos clientes não - qualificados, onde estes encontram a informação essencial para analisar a contratação do serviço. Mas ainda há aspetos a melhorar. Desde logo, a uniformização das comissões. Se alguns preçários têm a boa prática de apresentar uma comissão única que inclui todos os custos cobrados diretamente pelo prestador de serviços, outros separam os custos em diversas rubricas, com diferentes designações: comissões de corretagem, comissões bancárias, comissões de mercado, comissões de liquidação ou execução, etc. Ainda que o preço fixado pelo intermediário possa ser constituído por diferentes componentes, este nível de detalhe é desnecessário e dificulta a interpretação do preçário pelo cliente. Deve ser mais fácil perceber qual o custo total. Se há situações que, pela sua especificidade, justificam o uso de notas adicionais (por exemplo, o stamp duty do Reino Unido incide só sobre as transações de compra, não sobre todas as operações), não vemos razão para que os impostos e as taxas de bolsa que incidem sobre todas as operações de um determinado tipo não possam ser também incluídos no valor do custo final. Um exemplo de uma boa prática é o preçário do Millennium BCP, que, além de apresentar as suas comissões, inclui o encargo mínimo para o cliente com a operação, já com imposto de selo e IVA. É um caminho possível a seguir.

Novas corretoras estrangeiras em Portugal

Os nossos leitores têm-nos questionado sobre algumas corretoras estrangeiras que estão a publicitar os seus serviços junto dos investidores nacionais, oferecendo portais de Internet em português. A negociação via Internet é o canal de transmissão de ordens mais vantajoso e isso constitui uma vantagem para intermediários como a Degiro ou a Plus 500. Com um computador ligado à Internet passa a ser indiferente negociar com um banco local ou com uma instituição com sede noutros países.

A facilidade em usar intermediários financeiros transnacionais é aliás reflexo do aprofundamento do Mercado Único Europeu de Serviços Financeiros, um dos objetivos estratégicos da Comissão Europeia. Ao ser possível utilizar intermediários financeiros de toda a União Europeia, sem estar limitado a cada mercado nacional, a concorrência aumenta, com benefícios para o consumidor. Contudo, esta integração ainda não está completa, e a transição não se faz sem alguns sobressaltos. Desde logo, as diferenças no tratamento fiscal. Os negócios serão, do ponto de vista fiscal, realizados no estrangeiro, mesmo que esteja a adquirir títulos na bolsa nacional. Enquanto contribuinte terá que declarar os seus rendimentos de forma diferente e os procedimentos dos intermediários situados em diferentes países podem ser distintos no que toca à emissão de documentação para efeitos fiscais. Além disso, as garantias podem não ser as mesmas: em vários países, como o Chipre e a Holanda, os esquemas de proteção equivalentes ao Sistema de Indemnização dos Investidores nacional (SII) oferecem uma garantia de valor inferior aos 25 000 euros da garantia portuguesa. Também as condições contratuais podem refletir práticas distintas do que é a norma no mercado nacional e que seriam a expectativa do investidor nacional.

Em resumo, com novas ofertas de preçários verdadeiramente competitivos, o aumento do número de opções é de saudar, desde que daí não resultem surpresas negativas para o investidor.

Todos os intermediários financeiros que constam deste estudo estão autorizados a operar e são regulados em Portugal. Mas o que fazer se receber uma proposta de investimento de uma empresa que desconhece?

Dicas para avaliar um intermediário

Comece por verificar se o intermediário está registado na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Se se tratar de um intermediário financeiro estrangeiro deve obrigatoriamente estar registado num país da União Europeia. A CMVM disponibiliza também uma lista dos intermediários registados em cada país que prestam serviços em Portugal no regime de livre prestação de serviços.

Consulte os alertas de intermediação financeira não autorizada da CMVM e dos reguladores de outros países europeus. As empresas sobre as quais existem alertas devem ser completamente evitadas. A ausência da lista de alertas não é, contudo, uma prova de que uma empresa é fiável. Por exemplo, diversas propostas duvidosas para as quais a PROTESTE INVESTE precaveu os seus leitores só foram alvo de alerta após vários meses. Existem alguns tipos de ativos mais propensos à possibilidade de fraude, ou simplesmente de risco muito elevado, como por exemplo o forex (mercado de divisas) ou as opções binárias. Mantenha algum ceticismo perante intermediários que promovem agressivamente instrumentos financeiros com os quais não esteja familiarizado. 

Este artigo foi redigido ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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