Análises Deco Os cisnes do PSI-20

Os cisnes do PSI-20

A prosperidade que, até recentemente, animou as bolsas mundiais passou ao largo da Bolsa de Lisboa, desprezando os títulos nacionais, quais patinhos feios dos mercados. Mas, entre eles, há seis cisnes que valem bem o seu dinheiro.
Os cisnes do PSI-20
Deco Proteste 18 de dezembro de 2018 às 12:00
A julgar pelos 207,8% que o índice que mede a evolução das principais bolsas mundiais - o MSCI World - subiu, nos últimos 10 anos, o investimento em ações atravessou um período de ouro. Mas nem todos os mercados comungaram dessa prosperidade. É o caso da Bolsa de Lisboa, que acumulou uma valorização de apenas 16 por cento. O motivo? O de sempre: a crise, claro. O fraco desempenho dos últimos anos não deve, porém, condenar o PSI-20 ao ostracismo. Atualmente, há seis títulos que estão longe de serem os patinhos feios das cotações. Pelo contrário, aos níveis atuais e face às suas perspetivas de crescimento, estão baratos e constituem uma boa oportunidade de investimento, sempre numa ótica de longo prazo (mínimo de cinco anos). Senhoras e senhores, apresentamos as promessas da bolsa nacional: EDP, Galp Energia, Navigator, NOS, REN e Sonae.

A crise, o suspeito do costume

Após a crise financeira de 2008, a intervenção concertada dos governos e sobretudo dos principais bancos centrais mundiais permitiu sustentar as cotações bolsistas e restaurar a confiança dos investidores. Beneficiando de uma conjuntura quase inédita de baixíssimas taxas de juro - que, ao mesmo tempo que diminuem a atratividade de produtos como depósitos ou obrigações, favorecem o investimento em ações -, os índices bolsistas lançaram-se num bull market (isto é, numa subida) que dura há 10 anos e já é um dos maiores da história. Esta subida tem sido, todavia, desigual. Se nos Estados Unidos da América as bolsas cresceram 14,5% ao ano, somando máximos históricos, com o setor tecnológico a liderar esta tendência, na Europa, fruto de uma conjuntura económica menos favorável, a progressão dos índices tem sido menos exuberante, embora positiva, atingindo uma boa média anual (8,8% por cento). Em comparação, ao longo deste período, o desempenho da bolsa nacional tem sido sofrível, sobretudo devido à difícil situação económico-financeira que Portugal atravessou, no contexto do pedido do resgate financeiro em 2011.

Como se isso não bastasse, os sucessivos escândalos que retiraram do mercado algumas das empresas mais importantes, como o Banco Espírito Santo e a Portugal Telecom, foram o golpe de misericórdia, minando a confiança na praça lisboeta. Incluindo a dos investidores estrangeiros, que, devido à reduzida dimensão do nosso mercado, e, consequentemente, à sua baixa liquidez, sempre foram importantes atores na evolução das cotações. Com a sua saída, a bolsa nacional foi praticamente votada ao abandono. Reflexo da sua pouca atratividade são as escassas entradas de empresas nacionais no mercado acionista neste período (os CTT são um dos poucos exemplos). Além disso, ironicamente, o PSI-20 não inclui 20, mas apenas 18 empresas, porque as restantes não cumprem os requisitos de entrada no índice.

Não é por isso de estranhar que, na última década, tenha subido, em média, 1,5% ao ano. Números que contrastam bem com os das bolsas mundiais, cujo ganho médio anual foi de 11,9 por cento.

Não tomar o todo pela parte. E o contrário também

Mas esta está longe de ser a crónica de uma morte anunciada. Tal como não se deve tomar o todo pela parte, o inverso também é verdadeiro. E, se há diferenças significativas no desempenho das diversas bolsas, o mesmo acontece com os títulos de um mesmo mercado. Assim, na mesma altura em que o PSI-20 fazia a sua travessia no deserto, empresas como a Corticeira Amorim, que manteve durante bastante tempo o conselho de compra da PROTESTE INVESTE, somavam e seguiam com um bom desempenho. A prová-lo estão as mais de 14 vezes que a cotação desta companhia subiu nestes 10 anos.

Seis autênticos cisnes

Resumindo, é possível encontrar bons investimentos em mercados deprimidos e as ações que recomendamos ao lado são um bom exemplo disso. Numa escala de 1 a 5, todas têm nível de risco 3, exceto a REN, que tem um risco mais baixo (2). Apesar de serem bons investimentos, atualmente, a PROTESTE INVESTE aconselha uma exposição à Bolsa de Lisboa que não vá além dos 5% do total do seu investimento. Ou seja, inclua algumas destas ações na sua carteira, mas não as seis em simultâneo.

Se investir 15 mil euros (o mínimo que recomendamos para constituir uma carteira de ações diversificada), em 10 ou 15 títulos, pode incluir dois ou três portugueses. Por exemplo, EDP e REN fazem parte da nossa carteira de ações, cuja composição pode conhecer em detalhe em www.deco. proteste.pt/investe/estrategias/perfil-acoes. A escolha dos títulos deve ser feita no âmbito mais alargado de uma carteira diversificada por vários mercados, tanto geograficamente como em termos de setores de atividade. Deve, no entanto, evitar investir em dezenas de empresas diferentes, o que dificulta a gestão da carteira. O nosso comparador, disponível no endereço atrás referido, permite-lhe aceder ao conjunto de 151 títulos que acompanhamos diariamente, ajudando-o a decidir.

Não nos cansamos de frisar que a diversificação é uma regra de ouro do investimento. E este caso é paradigmático. Imagine que, há 10 anos, tinha investido 15 mil euros, em exclusivo, na Bolsa de Lisboa. Agora teria 17 396 euros. Mas, se o mesmo investimento tivesse sido feito nas bolsas mundiais, com base na variação do MSCI World, teria amealhado 46 171 euros. Se dúvidas houvesse...

Ações, mas através de fundos

O investimento direto não é a única forma de aplicar o seu dinheiro em ações nacionais. Se tem um perfil mais defensivo, os fundos, produtos que garantem uma boa diversificação com apenas algumas dezenas de euros, podem ser uma opção.

Todas as questões operacionais ficam a cargo da sociedade gestora (compra, venda,recebimento de dividendos, etc.), pelo que o investidor só tem de se preocupar em escolher um fundo que tenha dado provas de boa gestão. Em contrapartida, prescinde do direito de escolher e de gerir a sua própria carteira de ações, uma estratégia que, se bem executada, é potencialmente mais rentável. Mas, o certo é que se optar por investir em fundos, arrisca menos, sem deixar de estar exposto ao mercado lisboeta. Neste caso, recomendamos a subscrição dos fundos BPI Portugal e/ou Santander Ações Portugal A. Os assinantes da PROTESTE INVESTE podem subscrever o primeiro no Banco Invest, beneficiando de um prémio de fidelização anual de 0,2% sobre o valor da carteira de fundos.


Títulos nacionais

Para comprar, mas não à meia dúzia



Setor
Energia e serviços públicos
Cotação 3,104 EUR
Risco 3

Pontos fortes
Bom posicionamento e potencial de crescimento nas energias renováveis;
Boa diversificação geográfica;
Fraca exposição às flutuações dos preços de mercado da energia;
Dividendo atrativo (rendimento líquido de 4,4%).

Pontos fracos
Regulação mais apertada pressiona resultados em Portugal;
Endividamento um pouco elevado.




Setor
Pasta e papel
Cotação 4,40 EUR
Risco 3

Pontos fortes
 Forte geração de cashflow;
Dividendo atrativo e sustentável (rendimento líquido de 4,7%);
Modelo de produção integrado e competitivo, mesmo na atual conjuntura de elevados preços da matéria-prima;
Baixo endividamento;
Aposta em produtos de gama alta.

Pontos fracos
Perspetivas de crescimento do negócio são reduzidas.




Setor
Energia e serviços públicos
Cotação 2,354 EUR
Risco 2

Pontos fortes
Atividade muito regulada e de baixo risco;
 Elevada previsibilidade dos resultados;
Baixa volatilidade da cotação em bolsa;
Rendimento do dividendo é o mais alto da Bolsa de Lisboa (5,2% líquidos).

Pontos fracos
Perspetivas de crescimento limitadas.




Setor
Petrolífero
Cotação 15,395 EUR
Risco 3

Pontos fortes
Elevado potencial de crescimento na Exploração & Produção de petróleo no Brasil e de gás natural em Moçambique;
Endividamento bem controlado.

Pontos fracos
Setor petrolífero é muito cíclico, o que implica um risco superior;
Elevada volatilidade do preço do petróleo confere maior imprevisibilidade aos resultados.




Setor
Telecomunicações
Cotação 4,96EUR
Risco 3

Pontos fortes
Aumento da quota de mercado;
Nível de endividamento confortável;
Boa geração de liquidez;
Dividendo atrativo (rendimento líquido de 4,4%).

Pontos fracos
Menores perspetivas de crescimento do mercado nacional;
Elevado investimento na aquisição de conteúdos desportivos.




Setor
Distribuição
Cotação 0,8845 EUR
Risco 3

Pontos fortes
Elevada quota de mercado no retalho alimentar e no retalho especializado;
Crescimento sustentado das vendas;
Diminuição da dívida líquida;

Pontos fracos
Margens operacionais reduzidas;
Forte concorrência (retalho tradicional e online).

Todas as cotações e variações foram calculadas a 31 de outubro de 2018

Bolsa de Lisboa

Um PSI-20 que é um PSI-18

A falta de fôlego da Bolsa de Lisboa reflete-se bem na composição do PSI-20, que integra apenas 18 empresas, por só estas cumprirem os requisitos de entrada. Além disso, os seis maiores títulos representam quase dois terços do índice.


Numa escala de 1 a 5, todas têm nível de risco 3, exceto a REN, que tem um risco mais baixo (2).


15
Mil euros
Se investir 15 mil euros (o mínimo que recomendamos para constituir uma carteira de ações diversificada), em 10 ou 15 títulos, pode incluir dois ou três portugueses.


Não nos cansamos de frisar que a diversificação é uma regra de ouro do investimento.



Este artigo foi redigido ao abrigo do novo acordo ortográfico.

 




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