BCE alerta para potencial correcção "abrupta" nos mercados
"É provável uma maior volatilidade no futuro próximo e o potencial de uma correcção abrupta permanece significativo". O alerta é dado pelo Banco Central Europeu e consta do relatório de estabilidade financeira publicado esta quinta-feira, 24 de Novembro.
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O BCE faz este alerta devido à "elevada incerteza política a nível global e às vulnerabilidades dos mercados emergentes".
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O banco central assinala que "elevadas tensões geopolíticas e forte incerteza política, numa altura em que o calendário eleitoral está bastante preenchido em muitas economias avançadas, tem o potencial para reacender a aversão ao risco a nível global e despoletar um forte choque de confiança".
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Depois das eleições nos Estados Unidos que resultou na vitória de Donald Trump, há um importante referendo na Itália este ano e em 2017 vão decorrer eleições em França e na Alemanha, onde os partidos extremistas têm vindo a ganhar força nas sondagens.
Para o BCE, o aumento da incerteza política pode representar uma ameaça para os bancos, para a estabilidade do sistema financeiro e para o crescimento económico.
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"Os bancos da Zona Euro permanecem com vulnerabilidades significativas" e as "perspectivas para a rentabilidade permanecem reduzidas devido ao ambiente de fraco crescimento económico", refere o BCE.
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Acrescenta que a "elevada incerteza política pode conduzir a uma agenda mais focada em assuntos domésticos", o que pode resultar num "adiamento das necessárias reformas orçamentais e estruturais, o que em último caso pode reacender pressões sobre os soberanos mais vulneráveis".
Gráficos do BCE ilustram a relação entre a incerteza política e os mercados:
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Banca vulnerável mas resiliente ao stress
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Neste documento, a autoridade monetária aponta que a banca da Zona Euro "continua vulnerável" mas "provou ser resiliente ao stress recente do mercado". "As perspectivas moderadas de crescimento económico e o ambiente de baixas taxas de juro atenuaram as perspectivas de rentabilidade do sector bancário na Zona Euro e em outras economias avançadas", refere o BCE.
Em Junho, o Reino Unido realizou um referendo à permanência do país na União Europeia. O "Leave" venceu e os britânicos vão deixar o bloco económico europeu. Esta decisão e o facto de não haver um plano oficial para que Londres comece a negociar a saída, foi um dos motivos que originou uma elevada volatilidade nos mercados bolsistas nos últimos meses. As eleições norte-americanas, realizadas no início de Novembro e que determinaram que Donald Trump vai ser o próximo presidente dos EUA, foram outro foco de incerteza nos mercados de capitais.
Esta situação não passou despercebida no relatório da autoridade monetária que assinala que: "os desenvolvimentos voláteis nos mercados bolsistas, durante os últimos seis meses, contribuíram para um aumento dos custos do capital dos bancos o que pode limitar a capacidade dos bancos para apoiar a economia real através de volumes de empréstimos mais elevados".
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"Além disso, a capacidade orgânica dos bancos para gerar capital está limitada pelas perspectivas baixas de rentabilidade num ambiente que continua a ser de moderado crescimento económico".
O Banco Central Europeu defende ainda que "o maior desafio estrutural para a rentabilidade dos bancos continua a estar relacionada com o elevado montante de crédito malparado em vários países, ajustamentos ao modelo de negócios incompletos e excesso de capacidade em alguns sectores bancários da Zona Euro".
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