Fed pode subir taxas de juro acima do previsto
A Reserva Federal norte-americana (Fed) poderá subir as taxas de juro em 50 pontos base, em vez dos habituais 25, já em março. A hipótese foi avançada por Raphael Bostic, líder do braço em Atlanta da organização, em entrevista ao Financial Times. O responsável admitiu que a hipótese está a ser considerada, caso a inflação continue a revelar uma tendência de subida.
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"Todas as opções estão em cima da mesa para todas as reuniões", afirmou Raphael Bostic. "Se os dados indicarem que a inflação evoluiu de forma a que um movimento de 50 pontos-base seja necessário ou apropriado, eu acredito que será o que vai acontecer."
Jerome Powell anunciou na passada quarta-feira, no final da reunião de dois dias da Fed, que é "apropriado" começar a subir "em breve" os juros diretores, devido à persistente inflação acima dos 2% e à robustez do mercado laboral.
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A subida dos juros diretores deverá começar já em março, como tem sido antecipado, tendo o regulador indicado que poderia elevar a sua principal taxa pelo menos três vezes este ano. No entanto, há observadores de mercado que já apontam para a possibilidade de quatro ou mesmo cinco subidas.
Contudo a maioria dos analistas antevê uma subida de 25 pontos base. Caso a Fed opte pelos 50, será algo que não acontece desde maio do ano 2000.
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No Twitter, o bilionário Bill Ackman defende que uma subida expressiva - logo no primeiro aumento - seria uma forma de reforçar a credibilidade da Fed no combate à inflação e "moderaria a necessidade de medidas mais agressivas e economicamente dolorosas no futuro", escreveu, citado pela Bloomberg.
Se a subida dos juros se situar nos 50 pontos base, antecipa-se um período conturbado nos mercados de capitais. Só a reunião da Fed nesta semana bastou para manter o Índice de Volatilidade acima de 30 nos cinco dias, o dobro do valor do arranque do ano.
"Muito poucos investidores em Wall Street hoje se lembram de como o mercado funciona quando a inflação é um problema," comentou Matt Maley, analista da Miller Tabak + Co., em relação à subida das taxas de juro pela Fed.
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Por outro lado, a descansar as bolsas está o facto de a economia dos Estados Unidos estar a atravessar um bom período. "Isso deve traduzir-se em lucros corporativos mais altos em 2022 e suportar os preços de ações", escreveu Nicholas Colas, da DataTrek Research, numa nota publicada quinta-feira. "Qual a taxa de desconto que o mercado deve usar para capitalizar esses ganhos? Essa é a pergunta do momento. E, talvez, do ano."
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