ATM: “Se o preço de mercado não se alterar, não acredito no sucesso da operação” da Sonaecom
Octávio Viana aplaude a operação, mas questiona os termos do negócio que “deixam muito a desejar”. O presidente da ATM considera mesmo que a CMVM pode não aprovar o prospecto da operação.
Esta terça-feira, a Sonaecom lançou uma oferta pública de aquisição (OPA) parcial sobre 24,16% do seu próprio capital, oferecendo como contrapartida acções da Zon Optimus, que correspondem a 2,45 euros por acção. Tendo em conta este valor, o montante da oferta é de 216 milhões de euros.
A oferta incide sobre um máximo de 88.479.803 acções da Sonaecom, representativas de 24,16% do capital da empresa. E, em troca, a cotada liderada por Ângelo Paupério oferece as 37.489.324 acções que detém de forma directa na Zon Optimus, que equivalem a 7,28% do capital da empresa que resultou da fusão entre a Zon Multimédia e a Optimus.
“É uma operação que permite a saída de bolsa de uma sociedade que esteve sujeita a um evento que alterou a sua matriz e, como tal, é bem-vinda”, explicou ao Negócios Octávio Viana. No entanto, o presidente da Associação de Investidores e Analistas Técnicos (ATM) considera que esta operação, “no que diz respeito às suas especificidades, deixa muito a desejar”.
Isto porque o rácio de troca levanta “dúvidas, nomeadamente em termos legais”. “O rácio de troca não é efectivamente conhecido, depende da adesão à oferta. E isso cria uma incerteza jurídico-económica muito grande, pois só no final vou saber quantas acções vou receber. Não é aceitável”, resume Octávio Viana.
“Nestes moldes, a oferta não permite um juízo ponderado sobre a oportunidade da oferta”, realça o presidente da ATM que adianta que a associação vai esperar pela análise do regulador. “A CMVM vai analisar o prospecto da operação e só vai aprová-lo se for correcto”, continua.
Octávio Viana acredita que o objectivo final da Sonaecom é retirar a empresa de bolsa. Mas, vai conseguir atingir os 90% das acções alvo de oferta que, posteriormente, lhe permitirão lançar uma oferta potestativa? “Penso que esta oferta não vai ter êxito”, refere o presidente da ATM.
“Neste momento, o preço do mercado ajustou. O investidor pode vender as acções já e realizar o mesmo dinheiro que é oferecido na operação. Aliás, há até um benefício maior em vendê-las no mercado porque não tem a incerteza que representa o rácio de troca”, diz Octávio Viana.
Os investidores que poderão aceitar a oferta são os arbitragistas, investidores mais qualificados, que comprem acções da Sonaecom e assumam uma posição curta na Zon Optimus. Posteriormente, aquando da oferta, vendem as acções da primeira e recebem títulos da Zon para encerrar a posição curta.
“Em termos racionais, se o preço de mercado não se alterar, não acredito no sucesso da operação”, defende Octávio Viana. “Se a operação não tiver adesão, a empresa terá de subir o preço”, antecipa.
“Apesar de defender que esta operação é bem-vinda, tem que ser revista em termos de rácio de troca e preço de comparação com o mercado”, conclui o presidente da ATM.